Crise

O caso Bolsonaro vs Macron. E o que têm as mulheres que ver com isto

O caso Bolsonaro vs Macron. E o que têm as mulheres que ver com isto

Enquanto a Amazónia arde, Jair Bolsonaro e Emmanuel Macron têm sido notícia por uma troca de críticas capaz de gerar uma das maiores crises diplomáticas entre Brasil e França. Mas foram os comentários mais recentes sobre as mulheres dos presidentes que tramaram tudo.

E tudo se agravou no passado fim de semana (decorria a reunião do G7) com uma imagem publicada na página de Facebook do presidente brasileiro. Consistia esta numa montagem fotográfica com o presidente francês e a sua mulher, Brigitte Macron, perante a qual dois seguidores de Bolsonaro afirmaram que Emmanuel Macron tinha inveja de Jair Bolsonaro, porque este era casado com uma mulher mais jovem. O presidente do Brasil aproveitou os comentários e escreveu a seguinte frase: "Não humilha, cara Kkkkkkk", citou o jornal "Folha de São Paulo".

Macron, de 42 anos, casado com Brigitte, de 66 anos, reagiu na segunda-feira: "O que posso dizer? É triste, é triste, mas é triste para ele e para os brasileiros". Acrescentou: "Como tenho uma grande amizade e respeito pelo povo brasileiro, espero que tenham logo um presidente que se comporte à altura".

"Penso que as mulheres brasileiras sentem vergonha ao ler isso, vindo do seu presidente, além das pessoas que esperam que ele represente bem o seu país", disse ainda Macron, considerando os comentários sobre Brigitte como "extremamente desrespeitosos".

Dia seguinte, terça-feira. Bolsonaro, de 64 anos, casado com Michelle, de 37 anos, reage à reação, negando ter desrespeitado Brigitte Macron e culpando os jornalistas que o confrontaram com o caso. "Eu não botei aquela foto. Alguém que botou a foto lá e eu falei para não falar besteira". Enervado, rematou: "Realmente, o jornalismo, vocês não merecem consideração". E abandonou a entrevista.

"Sorry, feministas"

Enquanto decorre a troca de atrocidades, escrevem-se editoriais sobre machismo e feminismo na Imprensa brasileira e um pouco por todo o Mundo, que, atualmente, vive os conflitos de género com uma intensidade reforçada. No Brasil, o caso Bolsonaro vs. Macron e as suas mulheres acabaria por chegar a outras figuras da sociedade e da política.

Foi o que sucedeu, por exemplo, com a mulher de Sérgio Moro, ministro da Justiça brasileiro. Rosangela Moro fez uma publicação na sua conta de Instagram por muitos considerada provocatória. Tratava-se da imagem de uma mesa posta para um jantar com a legenda: "Esperando o ministro da Justiça chegar ao lar! Curitiba gelada e sopinha para aquecer o corpo. Sorry, feministas. Mas amo cuidar de quem eu amo. Eu trabalho, eu pago boletos, eu dou emprego e eu motivo, mas amo cuidar!"

O simples post acabou por ser apagado. Não resistiu à sentença das redes sociais e a tantos artigos de opinião na Imprensa brasileira. O movimento #metoo continua a manifestar-se a todo o gás.

Enquanto isso, tomavam-se decisões políticas, económicas e ambientes cruciais para muitos países e para o planeta.

Insultos que valem mais do que a Amazónia em chamas

Naquela mesma terça-feira, o presidente brasileiro admitiu aceitar dinheiro do G7 (reunião que contou com os líderes da Alemanha, Canadá, Estados Unidos da América, França, Itália, Japão e Reino Unido) para combater incêndios na Amazónia, se o chefe de Estado francês retirasse aquilo que considerou como insultos. "Primeiramente, o senhor Macron deve retirar os insultos que ele fez à minha pessoa. Ele me chamou de mentiroso".

Antes da gota de água sobre as esposas dos presidentes, os desentendimentos entre os Governos dos dois países já se estavam a acentuar nas últimas semanas. Quando o ministro francês dos Negócios Estrangeiros esteve no Brasil, Bolsonaro recusou recebê-lo, alegando que tinha compromissos, mas apareceu pouco depois da hora marcada a cortar o cabelo numa transmissão no Facebook.

Entretanto, os incêndios da maior floresta tropical do Mundo reacenderam a tensão. Na semana passada, o Governo francês disse que Bolsonaro havia mentido quando garantiu, na reunião do G20 - que juntou líderes das 20 maiores economias do Mundo no Japão - o compromisso em preservar o meio ambiente.

Depois, Macron levou o debate das queimadas na floresta amazónica para discussão no G7. E, em declarações públicas, o chefe de Estado francês já havia colocado em causa a assinatura do tratado de livre-comércio entre União Europeia e o Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai), assinado em 28 de junho, após 20 anos de negociações.

Esta quarta-feira, o Brasil já se mostrou mais aberto a receber ajuda internacional para o combate aos incêndios e preservação da Amazónia. Mas com uma condição: o reconhecimento da soberania do Governo brasileiro. Recorde-se que Macron anunciou que o G7 fornecerá uma ajuda imediata de 20 milhões de dólares (17,95 milhões de euros) para combater os incêndios na Amazónia.

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