Polónia

O corredor de última hora que faz sombra a Andrzej Duda

O corredor de última hora que faz sombra a Andrzej Duda

Rafal Trzaskowski é o liberal autarca de Varsóvia que opõe o europeísmo ao populismo do partido no poder.

Nada disto estava previsto: o presidente polaco, Andrzej Duda, apoiado pelo partido conservador que governa a Polónia, Lei e Justiça (o PiS de Jaroslaw Kaczynski), viu surgir do nada um opositor que baralhou as contas. O favoritismo de Duda manteve-se, mas erodido, e a votação de ontem resultou na necessidade de uma segunda volta. E o entusiasmo tornou-se tal que a afluência às urnas era, a meio da tarde, de 48%, mais 14 pontos do que em 2015. Um recorde.

Tem 48 anos, chama-se Rafal Trzaskowski e é o autarca de centro-direita de Varsóvia, que corre pela Coligação Cívica (KO), liderada pelo seu partido, a Plataforma Cívica que governou a Polónia entre 2007 e 2015 (nomeadamente com Donald Tusk, que entretanto ascendeu a presidente do Conselho Europeu).

E, no espaço de pouco mais de um mês, granjeou 30% das intenções de voto, contra 41% de Duda (que descia dos 60%), confirmados ontem nas projeções à boca da urna (30,4% contra 41,8%), e, portanto, a segunda volta no dia 12 de julho. E, aí, as sondagens são mais duras: a diferença final poderá ser de escassos milhares de votos, para um lado ou para o outro.

Um mês de campanha

Trzaskowski apresentou-se à corrida em 15 de maio depois de Malgorzata Kidawa-Blonska, candidata da KO, ver a popularidade esvair-se até baixar dos 5% por ter apelado ao boicote à eleição antes de esta ser adiada. A pandemia de covid-19 levara o PiS a anunciar a manutenção da consulta para 10 de maio, mas por correspondência. Adiadas in extremis, as eleições só foram por correspondência em áreas mais afetadas pela doença.

O autarca da capital polaca voltou a fazer da KO "uma ameaça potencial", no entender do analista Ben Stanley, da Universidade de Ciências Sociais e Humanidades Varsóvia citado pelo "El País". Porquê? Porque o presidente, ainda que com poderes limitados, pode vetar legislação do parlamento, controlado pelo PiS, que, entre outras reformas, implementou uma que faz depender o poder judicial do executivo. E foi amplamente contestada pela União Europeia, que salientou os riscos para o Estado de Direito.

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E nem a ida de Duda a Washington, na primeira visita de um chefe de Estado estrangeiro à Casa Branca desde o início da pandemia, terá assegurado a vitória à primeira. Nem com a ideia deixada no ar de instalar na Polónia parte do contingente militar dos EUA que Trump anunciou querer tirar da Alemanha, numa manobra tida internacionalmente como arriscada dada a proximidade da Rússia.

Liberal, pró-europeu e cosmopolita - a KO tem mais força em meio urbano, enquanto o PiS controla a mundo rural -, Trzaskowski defende a educação sexual e prefere deixar a dúvida quanto ao casamento homossexual. Por isso é classificado de "extremista" pelo PiS. Pelo contrário, Duda disse há dias que a comunidade LGBT advoga "uma ideologia mais destrutiva do que o comunismo" face à qual é imperativo "proteger as crianças".

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