Aventura

O drama de um navegador solitário apanhado nas vagas do medo da covid-19

O drama de um navegador solitário apanhado nas vagas do medo da covid-19

Um navegador solitário de Singapura partiu para uma aventura no mar, que era suposto durar três anos. Apanhado nas vagas da pandemia que entretanto tomou o Mundo, foi impedido de atracar em vários portos, quase ficando sem comida.

Wong não quis identificar-se além do primeiro nome quando contou a aventura que viveu à BBC. Natural de Singapura, tinha o sonho de passar três anos no Pacífico. O que era para ser uma boa memória transformou-se num desastre, quando os portos se fecharam por causa das medidas de prevenção da covid-19.

Ficou preso sozinho no mar durante três meses, depois de ter arrancado para a sua jornada a 2 de fevereiro.

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O plano era navegar de Singapura para a Polinésia, uma viagem que levaria cerca de quatro meses na sua embarcação. Marinheiro reformado, de 59 anos, tinha tudo planeado, mas cedo aprendeu que os melhores planos poderiam sair furados - especialmente diante de uma pandemia global.

Na primeira etapa da viagem o piloto automático avariou. "Ainda estava nas águas da Indonésia, e precisava ancorar, fazer uma pausa e consertar o barco. Mas fui impedido. Disseram-me que as restrições haviam começado", contou à BBC. Teve de continuar viagem no mar, sozinho. "Um piloto automático avariado significava que precisava comandar o navio o tempo todo", não podia descansar ou dormir.

Decidiu, entretanto, parar numa pequena ilha que lhe surgiu, mas nem aí pôde descansar. "Era uma ilha pequena, com apenas 20 a 30 famílias. Não havia telefone, televisão, nada", constatou. "Mas mesmo estas pessoas ouviram falar do vírus e da pandemia, e expulsaram-me".

Tornou como objetivo Tuvalu, um estado da Polinésia, em meados de abril. Nesta altura, já havia passado semanas sozinho no seu barco, e estava quase sem mantimentos, a cerca de duas horas das águas de Tuvalu quando foi descoberto pelas autoridades marítimas - que lhe disseram para deixar o local.

"Por favor, não tenho mais combustível e comida. Não vou ancorar e pisar a terra, apenas deixem-me ficar nas vossas águas", implorou Wang. A resposta foi não. "Referi que não tinha para onde ir. Ofereceram-me mil litros de combustível e aproximadamente um mês em alimentos", revelou.

Passaram mais dias e recebeu a notícia de que o governo de Fiji havia concordado em aceitá-lo.

"Fiquei tão feliz e aliviado quando Fiji me deixou entrar. Fiquei muito agradecido ao governo de Fiji e ao Ministério das Relações Internacionais de Singapura por coordenar toda a operação", agradeceu.

Um barco da marinha foi enviado para rebocá-lo e Wong atracou em Fiji a 29 de abril - depois de quase três meses a vaguear pelo mar.

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