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Resumo do 70.º dia

O cerco ao último reduto, o embargo ao petróleo russo e a mão firme de Zelensky

O cerco ao último reduto, o embargo ao petróleo russo e a mão firme de Zelensky

Da União Europeia, chegou esta quarta-feira um sexto pacote de sanções à Rússia, que inclui a proibição das importações de petróleo. Enquanto isso, aperta o cerco no último bastião da resistência ucraniana, com a Ucrânia a acusar as forças russas de entrarem nos terrenos da fábrica sitiada. Zelensky rejeita acordo enquanto o país estiver ocupado. Eis os pontos-chave deste 70.º dia de guerra.

- As forças russas entraram nos terrenos da fábrica Azovstal, na cidade sitiada de Mariupol, onde milhares de militares e civis procuraram refúgio das forças russas, informou o deputado e negociador ucraniano David Arakhamia, ao início da noite desta quarta-feira (hora da Ucrânia). O presidente da Câmara de Mariupol, Vadym Boychenk, também denunciou que continuam os "combates violentos" na siderúrgica, acusando a Rússia de estar a usar artilharia pesada, e disse que há centenas de pessoas (incluindo mais de 30 crianças) ainda presas na fábrica. Moscovo desmentiu o ataque, garantindo que a ordem de cessar-fogo foi comunicada publicamente por Putin. "Não há nenhuma ofensiva" em curso, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

- Os serviços de informação ucranianos informaram hoje que a Rússia está a preparar uma parada militar no porto de Mariupol, sitiado pelas forças russas, para 9 de maio, dia em que Moscovo celebra a vitória sobre a Alemanha nazi. De acordo com o Serviço de Informações Militares ucraniano (GUR, na sigla em ucraniano), "a principal missão do oficial de Putin é preparar-se para as cerimónias".

- Uma nova investigação da agência de notícias Associated Press (AP), baseada nos relatos de quase 20 sobreviventes, socorristas e especialistas, descobriu evidências de que o ataque aéreo russo contra o teatro de Mariupol, a 16 de março, foi duas vezes mais mortal do que o que se julgava inicialmente. Segundo a AP, cerca de 600 pessoas terão sido mortas no bombardeamento. Estariam mil pessoas dentro do teatro no momento do ataque.

- Os corpos de mais 20 civis foram encontrados nas últimas 24 horas na região de Kiev, segundo o chefe da Polícia regional, Andriy Nebytov. As últimas descobertas, na cidade de Borodianka e nas aldeias vizinhas, elevam para 1235 o número total de corpos civis recuperados na região até agora.

- O presidente ucraniano rejeitou qualquer acordo com Moscovo enquanto as tropas russas permanecerem em território da Ucrânia. "Não aceitaremos um conflito congelado", sublinhou Volodymyr Zelensky, acrescentando que não quer que o país seja arrastado para um "lamaçal diplomático" como o acordo de paz para o leste da Ucrânia que foi intermediado pela França e pela Alemanha em 2015.

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- A presidente da Comissão Europeia anunciou, esta quarta-feira, um sexto pacote de sanções à Rússia, que inclui a proibição, até ao final do ano, das importações europeias de petróleo, a concretizar gradualmente. Está em causa "uma proibição total de importação de todo o petróleo russo, marítimo e oleoduto, bruto e refinado", anunciou Ursula Von der Leyen. O Kremlin reagiu dizendo que se trata de "uma faca de dois gumes". Perceba o que está em causa aqui

- O líder da Igreja Ortodoxa russa, o patriarca Kirill, e o chefe militar que ficou conhecido como "Carniceiro de Bucha", responsável pela operação militar naquela região ucraniana, são dois dos 58 indivíduos abrangidos pela nova proposta de sanções da União Europeia à Rússia. Leia mais aqui

- António Costa vai a Kiev encontrar-se com Zelensky, aceitando o convite do primeiro-ministro ucraniano, Denys Shmygal, com quem reuniu esta quarta-feira por videoconferência. As relações bilaterais e a guerra provocada pela invasão russa foram os temas centrais da conversa de hoje, revelou o chefe de Governo, numa declaração aos jornalistas em São Bento. A data da visita à capital da Ucrânia ainda não foi divulgada. Leia mais aqui

- O primeiro-ministro considerou "inconcebível" a ideia de uma ilegalização do PCP por suposto apoio à Rússia, salientou o papel dos comunistas para a democracia portuguesa e condenou quem pretende criar "um clima de caça às bruxas". Leia mais aqui

- Portugal está a apoiar a Ucrânia na medida das suas possibilidades e já enviou mais de "170 toneladas de material bélico e não bélico" para o país, incluindo material médico, divulgou a ministra da Defesa, que continua "a avaliar a possibilidade de manter esse apoio". Helena Carreiras também disse que as instalações das Forças Armadas têm disponibilidade "para acolher cerca de 40 feridos que possam vir" e que há cerca de 300 lugares para acolher refugiados ucranianos, numa primeira receção.

- Cerca de três mil famílias ofereceram-se para acolher crianças ucranianas refugiadas, anunciou a presidente da Comissão Nacional para a Promoção dos Direitos e Proteção de Crianças e Jovens (CNPDPCJ), Rosário Farmhouse, acrescentando que são residuais os casos de menores que chegam completamente sozinhos ao país.

- Perante as críticas feitas pela Associação dos Ucranianos em Portugal, que tem acusado o Alto Comissariado para as Migrações (ACM) de inação perante as denúncias de existência de associações pró-Putin no acolhimento de refugiados ucranianos, o diretor do Departamento de Apoio à Integração e Valorização da Diversidade do ACM, Francisco Neves, garantiu que todas as denúncias que põem em causa os direitos dos migrantes são reencaminhadas para as autoridades com capacidade de investigar e nunca ficam retidas na instituição.

- Ainda sobre o caso do acolhimento de refugiados ucranianos pela Câmara de Setúbal, a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, disse que aguarda com "tranquilidade" as conclusões da Inspeção-Geral de Finanças e pediu para que não se faça "de um caso a regra".

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