Crime

Samuel foi morto pelo ódio à diferença. O caso está a chocar Espanha

Samuel foi morto pelo ódio à diferença. O caso está a chocar Espanha

Samuel Luiz Muñiz, de 24 anos e de descendência brasileira, foi vítima de uma agressão violenta que lhe provocou a morte, na madrugada de sábado na Corunha, em Espanha. José Miñones, delegado do Governo na Galiza confirmou, esta quarta-feira, que os três presumíveis autores foram já detidos.

Segundo o jornal espanhol "La Voz de Galicia", o jovem, que era auxiliar de enfermagem, saiu com um grupo de amigos para uma discoteca, quando por volta das 3 horas saiu do local para fumar com Lina, amiga de Samuel, tendo nesse momento iniciado uma videochamada com uma outra amiga.

Lina descreveu no jornal espanhol que estavam os três a conversar e a rir e que viraram o telemóvel para que a amiga pudesse ver o local onde os jovens se encontravam. Nesse momento, a amiga de Samuel contou que se aproximou um casal e que começou "a gritar a pedir para parar de gravá-los", acrescentando que tentaram explicar que estavam apenas a fazer uma videochamada, mas "foi inútil", pois o rapaz era daqueles que procurava confusão", revelou Lina.

A amiga que estava com Samuel na altura da agressão referiu que o rapaz foi direto ao amigo: "pára de filmar se não queres que eu te mate, maricas". Samuel ainda tentou responder, mas acabou por ser agredido, com vários socos. Lina contou que o amigo apenas tentou proteger-se dos golpes, até aparecer um outro jovem que empurrou o agressor, acabando por desaparecer do local.

Lina referiu ainda que o amigo lhe pediu que voltasse ao bar para trazer-lhe o telemóvel, enquanto ficava com o jovem que o tinha ajudado. Porém, quando a amiga de Samuel voltou para o local da agressão o amigo já n​​​​​​ão estava lá, tendo apenas visto um grande grupo de jovens a correr para a Praça de Pontevedra a enunciar várias palavras homofóbicas. Por essa razão, Lina revelou que se dirigiu ao local e encontrou Samuel inconsciente no chão, não tendo encontrado os agressores.

O jornal "La Voz de Galicia" referiu ainda que algumas pessoas testemunharam a agressão ao jovem e segundo estas "eram cerca de dez pessoas" que cercavam Samuel desferindo socos e pontapés até o deixar inconsciente. Lina revelou ao jornal espanhol que se tratou de um "ataque homofóbico", pedindo a todas as pessoas que tenham detalhes sobre o homicídio para entrar em contacto com a polícia.

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"Tiraram a única luz que iluminava a vida"

O pai de Samuel deixou uma carta em homenagem ao filho num memorial improvisado no local do crime. Maxsoud Luiz começou por agradecer aos bombeiros "por todo o esforço no rápido atendimento", para tentar salvar o jovem de 24 anos.

O pai da vítima escreveu ainda que os assassinos do filho "tiraram a única luz que iluminava a vida", acrescentando que sabe que tem "um caminho muito longo a percorrer, mas tem o apoio da família, amigos e colegas" que o vão ajudar "a sair deste caminho obscuro".

"Agradeço à maravilhosa cidade, Corunha, que Deus possa recompensar todo o carinho que estão a oferecer. Um abraço muito forte a todos e desejo que nunca mais aconteça outro dia tão sombrio como o que estou a viver", referiu Maxsoud, acrescentando no final uma única frase "não há violência".

Três jovens são "os presumidos autores" do crime

O delegado do Governo na Galiza, José Miñones, confirmou, esta segunda-feira, que as três pessoas que foram detidas na terça-feira pela Polícia Nacional espanhola - dois homens e uma mulher, com idades entre os 20 e 25 anos - são "os presumidos autores" das agressões que levaram à morte de Samuel.

O delegado referiu ainda que a investigação continua aberta e não descarta a hipótese de homofobia. "Não se descarta nenhuma das vias de investigação. O juiz determinará se foi um crime de ódio ou não", referiu José Miñones durante o programa de rádio "Hoy por Hoy" da estação Cadena SER.

Esta é a mais recente agressão a um jovem homossexual na Espanha, porém foram ainda registadas na mesma semana mais duas agressões com motivos homofóbicos, uma delas aconteceu em Valência, tendo dois rapazes denunciado as agressões e a outra ocorreu a um jovem em Barcelona, em que o agressor gritou a palavra "maricas".

Segundo um relatório do ministério do Interior, no ano de 2019, o crime de ódio contra a orientação sexual ou identidade de género das pessoas ocupou a terceira posição das queixas apresentadas, com 16,3%, ficando abaixo dos crimes por racismo/xenofobia e ideologia.

O relatório aponta ainda que foram registados 278 crimes de ódio devido à orientação sexual ou identidade de género das vítimas, sendo que 230 queixas foram apresentadas por homens e 89 foram feitas por mulheres. O documento revela ainda que a comunidade autónoma da Catalunha foi a que mais registou crimes de ódio.

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