Investigação

O que descobrem os cientistas sobre a covid-19: dos anticorpos às partículas nas fezes

O que descobrem os cientistas sobre a covid-19: dos anticorpos às partículas nas fezes

Por ser novo e desconhecido, o SARS-coV-2, tem provocado uma quantidade anómala de estudos científicos. Fazemos neste texto um resumo de quatro investigações recentes em torno da covid-19.

Anticorpos gémeos podem melhorar combate

De acordo com um relatório divulgado na quarta-feira na revista "Science", uma equipa de cientistas chineses descobriu dois "anticorpos gémeos" (B38 e H4) que se mostraram capazes de neutralizar o novo coronavírus, cada um através de mecanismos ligeiramente diferentes. As células de defesa do organismo, encontradas num paciente que recuperou da infeção, agem em conjunto, impedindo a entrada do vírus no organismo. Os dois anticorpos foram isolados pelos cientistas, que realizaram testes em ratos e verificaram a redução do vírus nos pulmões.

Devido aos resultados positivos, os autores do estudo sugerem que um "cocktail" dos dois anticorpos pode trazer grandes benefícios terapêuticos para pacientes com covid-19, além de ajudar no desenvolvimento de uma vacina.

Crianças com cancro podem não ser mais vulneráveis

Crianças com doença oncológica não são mais vulneráveis a serem infetadas pelo o novo coronavírus ou a desenvolver sintomas mais graves em resultado da covid-19 do que crianças saudáveis. A hipótese é levantada por especialistas norte-americanos do "Memorial Sloan Kettering Cancer Center", num estudo publicado na quarta-feira na revista "JAMA Oncology", que tem por base uma amostra de 335 testes feitos a crianças e cuidadores adultos de Nova Iorque, submetidos a testes de diagnóstico.

PUB

De todas as crianças com cancro infetadas com covid-19, 95% apresentaram sintomas ligeiros e não precisaram de hospitalização. A análise deu ainda conta de que, entre meninas e meninos com cancro mas sem sintomas de infeção por covid-19, só 2,5% acusaram positivo para o vírus; com a taxa a subir para quase 15% entre os seus cuidadores adultos. E só metade das crianças cujos cuidadores acusaram positivo também ficaram infetadas.

Partículas de coronavírus nas fezes podem não ser infeciosas

O novo coronavírus pode não se propagar através do contacto com matéria fecal, sugere um relatório divulgado na quarta-feira na "Science Immunology". Em experiências laboratoriais, os especialistas descobriram que, embora o vírus infete as células do intestino delgado, os fluidos do intestino grosso inativam-no, de modo que o vírus deixa de ser infeccioso quando é expelido nas fezes. Os autores do estudo alertam, no entanto, que, por terem estudado apenas amostras fecais de 10 pacientes, não podem descartar definitivamente a transmissão fecal-oral da covid-19. Os cientistas também descobriram que determinadas enzimas ajudam o novo coronavírus a entrar nas células do intestino. O bloqueio dessas enzimas pode ser uma maneira de tratar a infeção, atiram.

Falar pode libertar partículas com vírus infeccioso

As milhares de pequenas gotículas de saliva libertadas quando se fala podem ser um veículo de transmissão da doença de pessoa para pessoa. O estudo, publicado na revista científica "PNAS", é de uma equipa de investigadores do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, que concluiu que as gotículas de saliva geradas podem conter partículas virais e conseguem permanecer no ar, num espaço fechado, até 14 minutos. Quanto mais pequenas são, mais tempo permanecem suspensas no ar, sendo que as mais pesadas acabam por cair mais depressa, dado o efeito da gravidade.

Considerando a concentração conhecida do vírus na saliva, os cientistas estimam que falar em voz alta durante um minuto pode libertar mais de mil gotículas contaminadas, que permanecem suspensas no ar de oito a 14 minutos. "Isto revela que falar normalmente gera gotículas que podem permanecer suspensas vários minutos e que são altamente capazes de transmitir doenças num espaço fechado", defende o estudo.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG