EUA

O que marca o mandato de Donaldo Trump, eleito há três anos

O que marca o mandato de Donaldo Trump, eleito há três anos

Quezilento até com importantes parceiros na Europa, truculento com os adversários, porta-estandarte dos lóbis do petróleo, do carvão e das armas e portador de uma agenda de extrema-direita e anti-imigrantes, o magnata da construção e da hotelaria e estrela de entretenimento televisivo Donald Trump foi eleito presidente dos EUA há três anos. Eis alguns traços marcantes do mandato.

Sem mediação jornalística

Trump não gosta da imprensa, reputando como falsas as notícias que lhe desagradam, não hesitando em calar jornalistas em conferências de imprensa e dispensando a mediação. A ferramenta preferida é a rede social Twitter, onde ele - ou a sua assessoria - publicam mensagens em massa (dezenas por dia) sobre reuniões, estados de alma e anúncios bombásticos - verdadeiros, falsos ou duvidosos.

Perseguições aos imigrantes

A sanha persecutória contra os imigrantes, apesar de ele próprio ser descendente de escoceses e de a mulher ter nascido na Eslovénia, é uma das marcas de Trump. Evidentemente dirigida aos pobres da América Latina que demandam a "terra das oportunidades" que o presidente quer "grande novamente", menos para os que retém na fronteira com o México e deporta em massa e dos indocumentados que vivem nos EUA há gerações.

Tropas ainda longe de casa

Uma das promessas eleitorais foi acabar "rapidamente" com as operações militares e mandar regressar a casa as tropas no Iraque, Afeganistão e Síria. Por lá continuam, com especial interesse no nordeste da Síria, de cujo Governo é inimigo jurado e ao qual quer negar a exploração de petróleo, apesar da manobra de diversão de retirada da fronteira turca.

Os inimigos nucleares

A pretexto de que o acordo nuclear entre os EUA, a Europa e o Irão estava a ser violado por Teerão (o que a Agência Internacional de Energia Atómica negou sempre), rompeu o tratado assinado pelo antecessor, fez regressar e agravar sanções e aumentar a tensão no Golfo, ameaçando com "castigos fulminantes". Usa a mesma retórica beligerante com a Coreia do Norte, apesar dos vários encontros com o seu líder, Kim Jong-un.

Guerras comerciais

Pregador do livre comércio mas cioso dos interesses americanos, Trump investiu contra os acordos multilaterais, preferindo os bilaterais mas impondo as suas regras. A China, que deverá tornar-se a maior economia do Mundo em poucas décadas, é o alvo preferido, com uma sucessão de agravamentos das taxas alfandegárias. Ontem, a China anunciou um acordo (mais um...) para a sua redução progressiva e bilateral.

Cuba: reversão da abertura mútua

Com Trump, regressou à Casa Branca a pulsão hegemónica sobre a América Latina. O principal alvo é Cuba, revertendo a abertura recíproca iniciada por Obama e Raul Castro. Ainda ontem, a ONU voltou a condenar o bloqueio que os EUA mantêm há mais de meio século.