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Obama confirma que míssil terá sido disparado de zona controlada pelos rebeldes

Obama confirma que míssil terá sido disparado de zona controlada pelos rebeldes

Parece não haver dúvidas: o voo MH17 foi abatido por um míssil terra-ar quando sobrevoava a Ucrânia, na quinta-feira à tarde. Obama confirmou hoje que primeiras provas sugerem que míssil foi disparado de zona controlada pelos rebeldes.

Não houve nenhuma mensagem de emergência enviada pelos pilotos do avião. O voo MH17 partiu do aeroporto de Schiphol às 12.15 horas de Amsterdão, com destino a Kuala Lumpur, na Malásia, com 283 passageiros e 15 tripulantes, segundo comunicado da companhia aérea, e desapareceu do radar.

A cerca de 50 quilómetros da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia, foi atingido por um míssil e despenhou-se junto a Grabovo, região de Donetsk, deixando um rastro de destruição ao longo de vários quilómetros. Ninguém sobreviveu. Os repórteres no local descreveram um cenário grotesco: cadáveres ainda presos ao assento com o cinto de segurança, dezenas de corpos desmembrados, misturados com os destroços do avião. Alguns incêndios e o cheiro intenso a combustível de avião compunham o palco de uma tragédia que voltou a acontecer a um avião da companhia malaia, a mesma do voo MH370 que desapareceu a 8 de março com 239 pessoas a bordo.

A bordo seguiam 154 holandeses e outros cidadãos de várias nacionalidades. Ao JN, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, garantiu que, com base na lista de nomes divulgadas, não há nenhum português entre as vítimas. "Já vi, um a um, todos os nomes. Não há nenhum apelido português. "Poderá haver casos de dupla cidadania ou cidadãos que tenham nomes estrangeiros, mas tenham cidadania portuguesa. Mas por agora será difícil ter essa informação", acrescentou.

O Conselho de Segurança da ONU pediu um "inquérito internacional completo e transparente" ao incidente.

Míssil confirmado

Fontes militares norte-americanas, tinham já ontem confirmado, ainda que não oficialment, que a aeronave foi atingida por um míssil terra-ar. Segundo a imprensa norte-americana, a análise militar ainda está a tentar descortinar a proveniência do ataque.

Hoje, em conferência de imprensa na Casa Branca, Barack Obama afirmou que "as provas sugerem que o avião foi abatido pelos separatistas" e classificou o incidente como "uma tragédia global". O presidente dos EUA afirmou ser necessária uma investigação e que os EUA estão a trabalhar com a comunidade internacional para "esclarecer o que aconteceu". Obama lembrou ainda que os separatistas têm tido apoio russo. "Eles estão altamente treinados e equipados e isso resulta do apoio da Rússia", continuou. "Se Putin decidir que não vai autorizar a entrada de armamenrto pesado e homens nas zonas de conflito, isso vai acabar", concluiu.

Obama pediu também um cessar-fogo imediato. "Para facilitar a investigação, a Rússia, os separatistas pró-russos e a Ucrânia devem aderir a um cessar-fogo imediato", referiu durante uma conferência de imprensa na Casa Branca.

"Não se devem obstruir as provas. Os investigadores têm de ter acesso ao local dos factos", acrescentou, antes de assegurar que uma equipa do FBI e da agência de segurança para os transportes (NTSB) estava "a caminho" da Ucrânia para colaborar na investigação.

Hoje, na ONU, a embaixadora dos EUA para a Organização, confirmou oficialmente que o voo MH17 foi atingido por um míssil SA-11, o outro nome para o sistema de mísseis Buk, que ontem era avançado como o provavelmente usado por quem abateu o Boeing. Samantha Power foi mais longe: o míssil foi disparado de uma zona controlada pelos rebeldes e que provavelmente "não se podia excluir que houve assistência de técnicos rússos" para operar a arma.

Entretanto, foram divulgados, pelo governo ucraniano, e publicados pelo "The New York Times", uma série de áudios onde se podem ouvir conversas entre os separatistas ucranianos e entre rebeldes e militares russos a admitir terem atingido um avião comercial.

Outras mensagens divulgadas nas redes sociais pelos separatistas, e entretanto apagadas, sugerem que os rebeldes pensavam que tinham abatido um avião militar ucraniano, antes de constatarem que era um aparelho comercial malaio.

O governo russo já negou veementemente qualquer envolvimento no incidente."Face a variadas especulações relacionadas com operações militares russas na fronteira com a Ucrânia, afirmamos que os meios anti-aéreos russos não foram ontem utilizados naquela região", garantem os militares da Rússia.

Caixas negras encontradas

As caixas negras do avião foram encontradas precisamente pelos separatistas, que garantem que as vão enviar para a Rússia, para análise. As milícias pró-russas estão, ainda, de acordo em permitirem aos investigadores internacionais um "acesso seguro" ao local da queda do avião, anunciou, esta sexta-feira, a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa.

Tensão aumenta

A aeronave caiu em pleno território controlado pelos rebeldes separatistas russos, cujas atividades estão a fugir ao controlo internacional. O incidente surge numa altura que o conflito tem subido de tom.

Vladimir Putin culpou a Ucrânia, por ter iniciado as operações militares.

Um especialista citado pelo "The Guardian", lembrava que só nos últimos quatro dias, dois aviões militares ucranianos foram destruídos pelos rebeldes. Todos foram atacados por mísseis terra-ar de pequeno alcance.

Todavia, o sistema de mísseis Buk, que foi desenvolvido pela União Soviética nos anos 70, tem capacidade para atingir o avião malaio, que voava a cerca de 10 mil metros de altitude. E um grupo separatista terá sido visto com um Buk, horas antes, na zona. Um repórter da AP testemunhou também que um conjunto Buk foi avistado na região. Os especialistas lembraram, no entanto, que este tipo de armamento só poderá ser cabalmente manuseado por um especialista.

O Governo ucraniano negou qualquer envolvimento e responsabilizou os rebeldes. "Não é um incidente, não é uma catástrofe, é um ato terrorista", disse o porta-voz do presidente. Os rebeldes devolveram a acusação, mas mensagens apagadas da Internet e divulgadas por Kiev sugerem que os rebeldes terão abatido o avião.