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Obama pede o reforços dos direitos e liberdades nos Estados Unidos

Obama pede o reforços dos direitos e liberdades nos Estados Unidos

O presidente norte-americano Barack Obama apelou esta segunda-feira ao reforço dos direitos e das liberdades nos Estados Unidos. O discurso de posse do segundo mandato como presidente Obama pediu elevação no debate político e defendeu de forma veemente o Estado social. Siga a transmissão em direto a partir de Washington.

O mote do discurso de tomada de posse, após a cerimónia de juramento, foi "nós o povo", primeiras palavras da Declaração de Independência, numa defesa da igualdade de direitos e oportunidades, em particular para mulheres, homossexuais e imigrantes.

Num discurso formal de 20 minutos, na tribuna instalada no Capitólio, Obama afirmou que "a nossa viagem não terá terminado enquanto as nossas mulheres, as nossas mães e os nossos filhos não ganharem a sua vida com o mérito dos seus esforços. A nossa viagem não estará terminada enquanto os nossos irmãos e irmãs homossexuais não forem tratados como todos perante a lei".

"A nossa viagem não estará terminada enquanto não encontrarmos uma forma melhor de acolher os imigrantes plenos de esperança que chegam aos Estados Unidos (...). A nossa viagem não estará terminada enquanto todas as nossas crianças (...) não estejam protegidas do mal", afirmou ainda Brack Obama, citando o caso de Newtown, a cidade palco de um massacre no passado mês de Dezembro.

"Nenhuma pessoa sozinha pode formar todos os professores de matemática e ciências de que precisamos para preparar as nossas crianças para o futuro, nem construir as estradas e redes de que vão trazer novos empregos e empresas às nossas costas. Agora, mais do que nunca, precisamos de fazer estas coisas juntos, como uma nação, como um povo", disse Obama em defesa da "ação coletiva".

A atual geração, afirma, assiste ao fim de "uma década de guerra" e ao "início de uma retoma económica", e o país tem todas as condições para ser bem sucedido.

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A prosperidade do país está "nos ombros de uma ascendente classe média", defendeu, e não no enriquecimento daqueles que hoje já têm os maiores rendimentos.

Sublinhando a necessidade de reformar o código fiscal e o ensino, deu particular ênfase à necessidade de responder "às ameaças das alterações climáticas", que não podem ser negadas perante a multiplicação de fogos, secas e "tempestades mais poderosas".

No que respeita à defesa de restrições ao uso de armas de fogo, vincou a necessidade de garantir a segurança das crianças, referindo-se particularmente às da cidade de Detroit, das montanhas da Appalachia e da cidade de Newtown.

Sobre o debate político no país, defendeu ainda que o "espetáculo não pode substituir a política" e "chamar nomes não pode tomar o lugar de um debate razoável".

"Vocês e eu, como cidadãos, temos a obrigação de moldar o debate do nosso tempo. Não apenas com os votos que depositamos, mas com as vozes que levantamos em defesa dos nossos mais antigos valores e duradouros ideais", disse Obama, que, defendeu ainda o reforço de alianças com o exterior.

Os Estados Unidos continuarão a ser "a âncora de fortes alianças", renovando as instituições internacionais e apoiando a democracia em todos os continentes, em nome dos "interesses e consciência" do país.

Ao juramento no Capitólio segue-se o 57º cortejo presidencial até à Casa Branca, ao longo da Pennsylvania Avenue, um baile com mais de 35 mil pessoas e artistas convidados como Smokey Robinson , Marc Anthony , John Legend e Nick Cannon, e outro reservado a quatro mil militares.

Festividades com 600 mil pessoas

As festividades junto ao Capitólio arrancaram às 10 horas (15 horas em Portugal continental) e incluiram a atuação de artistas como Kelly Clarkson e Beyoncé.

Perante o juiz-chefe do Supremo Tribunal de Justiça, John Roberts, o 44º presidente da História dos Estados Unidos leu o juramento inscrito na Constituição norte-americana, às 12 horas de Washington (17 horas de Portugal continental), com a mão sobre duas bíblias.

Uma das bíblias pertenceu ao ex-presidente Abraham Lincoln, que aboliu a escravatura, e outra a Martin Luther King Jr., líder histórico afro-americano.

Obama proferiu então o discurso de tomada de posse, o momento mais aguardado do dia de cerimónias na capital norte-americana, transmitido para todo o mundo pelas principais cadeias de televisão.

Com o vice-presidente Joe Biden e os principais dignitários políticos, militares e judiciais na assistência, a cerimónia foi aberta pelo senador Charles Schumer (Nova Iorque).

Antes, prestou juramento o vice-presidente Joe Biden, perante a juiz do Supremo Tribunal Sonia Sotomayor.

A cerimónia incluiu ainda momentos musicais, leitura de um poema por Richard Blanco, a benção pelo reverendo Luis Leon e o hino nacional, entoado pela estrela "pop" Beyonce.

Para assistir à tomada de posse pública de Barack Obama, num dia de frio glacial na capital norte-americana, perto de 600 mil pessoas afluíram à enorme alameda (National Mall) em frente ao Capitólio, que tem uma extensão de mais de três quilómetros.

O número fica muito aquém dos 1,8 milhões de pessoas que lotaram a alameda e as ruas de Washington quando em 2009 Obama tomou posse como primeiro presidente afro-americano da História do país.

Eleito em novembro de 2012, Obama já tinha prestado juramento domingo na Casa Branca, numa cerimónia reservada a familiares, amigos e colaboradores.

Por o dia 20 de janeiro, constitucionalmente estabelecido como data de tomada de posse, ter caído este ano a um domingo, a cerimónia pública de tomada de posse foi marcada para esta segunda-feira, quando se comemora também o feriado nacional a Martin Luther King Jr.

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