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Observadores internacionais denunciam irregularidades nas eleições da Bielorrússia

Observadores internacionais denunciam irregularidades nas eleições da Bielorrússia

Os observadores internacionais dizem ter havido "total falta de respeito" pelas regras democráticas, nas eleições na Bielorrússia, no domingo, onde nenhum deputado da oposição foi eleito.

A missão de observação da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) disse, esta segunda-feira, que nas eleições legislativas da Bielorrússia "as liberdades fundamentais foram desconsideradas e a integridade do processo eleitoral não foi adequadamente protegida".

"Estas eleições demonstraram uma total falta de respeito pelos compromissos democráticos", comentou Margaret Cederfeldt, líder da equipa de observadores da OSCE, num comunicado hoje divulgado.

Os resultados divulgados até agora pela comissão eleitoral mostram que todos os 110 lugares do Parlamento ficarão ocupados por ex-funcionários do Governo, diplomatas e membros de partidos apoiantes do Presidente Lukashenko, que governa com mão de ferro a ex-nação soviética de 10 milhões de habitantes, há um quarto de século.

Os dois únicos deputados da oposição, da anterior legislatura, bem como vários outros candidatos não alinhados com o regime, foram afastados dos boletins de voto, por várias razões, incluindo o facto de terem sido acusados de fazer "críticas infundadas ao Governo".

Também Nikolai Kozlov, líder da Frente Cívica Unida, principal partido da oposição, mostrou-se hoje indignado com o que considerou serem "falsificações cínicas" dos resultados eleitorais.

Contudo, em declarações aos jornalistas, Lukashenko disse não estar nada preocupado com as críticas de falta de transparência eleitoral vindas da oposição ou dos observadores internacionais e mostrou-se otimista relativamente aos resultados das eleições presidenciais, que decorrem em 2020, e que o deverão reconduzir a mais um mandato.

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Lukashenko disse mesmo que pretende uma reaproximação à União Europeia e desvaloriza as denúncias de irregularidades eleitorais, preferindo salientar a forte participação dos bielorrussos, com a comissão eleitoral a falar em 77% de afluência às urnas.

A campanha eleitoral não teve direito a comícios, debates na televisão ou mesmo propaganda na rua e o ato eleitoral está a ser visto como uma antecâmara das eleições presidenciais, que decorrem em 2020 e onde Alexander Lukashenko deverá ser reconduzido no lugar de Presidente, com poderes cada vez mais reforçados.

"Reparamos que não há eleição propriamente dita. O Governo decide quem deve ser membro do parlamento", disse Valery Ukhnalev, candidato do partido Mundo Justo, da oposição de esquerda, que acabou por ficar fora do Parlamento.

Um observador independente filmou uma mulher que tentou enfiar uma pilha de votos numa urna, durante a votação antecipada numa assembleia de voto em Brest, uma cidade na fronteira com a Polónia, mas a diretora da Comissão Eleitoral, Lydia Yermoshina, que ocupa o cargo há 23 anos, respondeu dizendo que o observador que fez o vídeo não é credível.

Os EUA e a União Europeia têm criticado as autoridades bielorrussas pela falta de transparência eleitoral, impondo sanções contra o Governo de Lukashenko.

No entanto, algumas dessas sanções foram suspensas nos últimos anos, quando a Bielorrússia libertou prisioneiros políticos, como parte dos esforços de Lukashenko para se aproximar ao Ocidente, num momento de tensão com a Rússia, principal patrocinadora e aliada da Bielorrússia, que aumentou o preço do petróleo, causando um duro golpe ao país vizinho.

"Lukashenko descobriu que pode vender 'estabilidade' e o ocidente está pronto para fechar os olhos a algumas coisas", explica Valery Karbalevich, analista independente de Minsk.

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