Migrações

"Ocean Viking" autorizado a desembarcar 549 migrantes

"Ocean Viking" autorizado a desembarcar 549 migrantes

O navio humanitário "Ocean Viking", com 549 migrantes a bordo, obteve autorização este sábado para aportar na Sicília, depois de na sexta-feira já terem desembarcado na região 257 migrantes que estavam a bordo do navio "Sea-Watch" há vários dias.

A informação foi avançada pelas organizações não-governamentais (ONG) que fretam os barcos para ações humanitárias.

A tripulação do "Ocean Viking", fretado pela ONG francesa SOS Mediterranée, adiantou à agência de notícias francesa AFP ter obtido autorização para desembarcar este sábado os seus 549 passageiros no porto siciliano de Pozzallo.

Com esta autorização, mais de 800 migrantes desembarcam na região italiana da Sicília em dois dias.

Na sexta-feira, o "Sea-Watch" acostou no porto de Trapani, na Sicília, tendo depois sido possível o desembarque de 257 pessoas, que desde quinta-feira apresentavam sintomas de desidratação, algumas das quais já estavam no mar há uma semana, não havendo medicamentos disponíveis no navio.

Também a tripulação do "Ocean Viking" relatou escassez de medicamentos para tratar os migrantes com sintomas de desidratação e infeções cutâneas.

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Os dois navios lançaram um apelo urgente, a pedir um porto seguro para desembarcar centenas de migrantes a bordo, sublinhando a deterioração do estado de saúde dessas pessoas.

Malta deu uma resposta negativa ao apelo, enquanto a Líbia e a Tunísia não responderam ao pedido de autorização para acostar num porto seguro.

Na quarta-feira, o Governo italiano, através da ministra do Interior, Luciana Lamorgese, instou a União Europeia (UE) a ativar, ainda que temporariamente, um mecanismo que permitisse dar um porto seguro a estas mais de 800 pessoas resgatadas.

Na mesma ocasião, Luciana Lamorgese apelou "ao relançamento do princípio de solidariedade entre os Estados-membros para uma redistribuição obrigatória dos migrantes resgatados em mar".

E sublinhou ainda "a urgência de uma mudança de rumo na política migratória da UE".

Apresentada em setembro de 2020 pela Comissão Europeia, a proposta do Novo Pacto europeu para a Migração e Asilo mantém-se ainda em negociações no seio do bloco comunitário.

A Itália, a par da Grécia, Espanha ou Malta, é conhecida como um dos países da "linha da frente" ao nível das chegadas de migrantes irregulares à Europa.

O país está integrado na chamada rota do Mediterrâneo Central, encarada como uma das mais mortais, que sai da Tunísia, Argélia e da Líbia em direção ao território italiano, em particular à ilha de Lampedusa, e a Malta.

Nos últimos dias, mais de dois mil migrantes chegaram à ilha italiana de Lampedusa, onde o centro de acolhimento local, com uma capacidade máxima para cerca de 200 pessoas, encontra-se sobrelotado.

Desde o início deste ano, segundo dados recolhidos até à passada segunda-feira, chegaram a Itália um total de 29.461 migrantes, um número que representa um aumento significativo em relação ao ano passado (14.406 migrantes) e ao ano anterior (3920).

Segundo dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM), as travessias no Mediterrâneo aumentaram este ano e pelo menos 1113 pessoas já morreram no mar no primeiro semestre de 2021 a tentar chegar à Europa.

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