OMS

"Ómicron não é pior que outras variantes" mas propaga-se mais depressa

"Ómicron não é pior que outras variantes" mas propaga-se mais depressa

O principal conselheiro da presidência dos EUA para questões relacionadas com a covid-19, Anthony Fauci, secunda as primeiras opiniões da Organização Mundial de Saúde. Para já, a variante ómicron não é mais perigosa que qualquer uma das anteriores.

A confirmação de uma nova variante da covid-19, a ómicron, anunciada ao mundo dia 24 de novembro, levou ao fecho, quase imediato, de fronteiras com os países da África Austral, onde a nova estirpe foi detetada e acentuou o clima de incerteza.

Em poucos dias, o Mundo fechou portas a África, encerrou escolas, voltou ao teletrabalho. Cautelas e caldos de galinha, numa altura em que pouco se sabe desta nova variante. "Certamente não é mais severa que a delta", argumenta Anthony Fauci, especialista em doenças infecciosas e principal conselheiro em questões de covid-19 do presidente dos EUA, Joe Biden.

Segundo Fauci, "os dados conhecidos sugerem, até, que pode ser menos severa" que a delta, a variante da covid-19 dominante no Mundo atualmente. Uma opinião vertida um dia depois de a Organização Mundial de Saúde (OMS), ter-se pronunciado na mesma linha, embora com cautelas.

A ómicron foi detetada até agora em 57 países, segundo um relatório da OMS, divulgado ontem. De acordo com o documento, nos últimos 60 dias, dos 900 mil casos analisados pela rede global de laboratórios GISAID (uma das redes de análise do vírus da covid-19 com que trabalha a OMS), mais de 99% continuam a ser causados pela variante Delta e apenas 713 (0,1%) são ómicron.

No entanto, numa semana, os casos de ómicron detetados pela rede GISAID passaram de 14 para 713. A nova variante, por outro lado, já supera os casos de outras detetadas anteriormente, como a alfa ou a gama.

Até agora "não mostra um aumento da gravidade"

PUB

O comportamento geral observado até agora "não mostra um aumento da gravidade" da doença, observou Michael Ryan, responsável pela resposta de emergência em saúde pública da OMS. "De facto, alguns locais da África Austral estão a relatar sintomas mais ligeiros", acrescentou, ressalvando que é preciso ter "muito cuidado na forma como se analisa" estes dados, uma vez que esta variante foi detetada muito recentemente.

Fauci concorda e sublinha a necessidade de esperar para ver que a ómicron, que está a afetar principalmente populações jovens, por isso mais resistentes à doença, se confirmará como realmente menos agressiva que qualquer uma das outras.

"Há medida que termos mais infeções em todo o Mundo, veremos o nível de severidade" da ómicron, disse Anthony Fauci, sublinhado que, é factual, esta nova variante "é claramente mais transmissível" que a delta, que já se espalhava mais depressa que qualquer uma das estirpes anteriores da covid-19. E isso, por si só, é um motivo de preocupação.

"Não acho que seja uma boa notícia ter algo que se espalha rapidamente", alertou o diretor executivo da farmacêutica Pfizer, Albert Bourla. "Ao espalhar-se rapidamente significa que a ómicron vai chegar a milhões de pessoas e pode dar origem a outra mutação", acrescentou.

"Ninguém quer isso", precisou, Albert Bourla, ao falar num fórum organizado pelo "The Wall Street Journal", na terça-feira. Na ocasião, o fundador da Pfizer, que fabrica uma das vacinas aprovadas para o combate à covid-19, admitiu também que os sintomas causados pela ómicron parecem mais leves, ressalvando o perigo que representa uma transmissão mais rápida.

A Pfizer anunciou, entretanto, que a vacina que produz é eficaz contra a ómicron, com três doses, admitindo que com duas, as recomendadas atualmente, a proteção pode não funcionar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reforçou as garantias e disse, na terça-feira à noite, que as vacinas são eficazes contra a nova variante, ao protegerem os infetados de doença grave.

"Não há razão para duvidar" que as vacinas atuais protegem

"Não há razão para duvidar" de que as vacinas atuais protegem os doentes infetados com ómicron contra formas graves de covid-19, disse o responsável pela resposta de emergência em saúde pública da OMS, Michael Ryan, numa entrevista à agência de notícias France-Presse.

"Temos vacinas muito eficazes que se mostram potentes contra todas as variantes até agora, em termos de gravidade da doença e hospitalização, e não há razão para acreditar que não seja o caso" com a ómicron, disse Michael Ryan, frisando que se está no início de estudos de uma variante detetada apenas a 24 de novembro.

O secretário-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, insiste na necessidade de acelerar a vacinação contra a covid-19 da população de maior risco. "Se os países esperarem até os seus hospitais começarem a encher-se será demasiado tarde, temos de agir já", afirmou, em conferência de Imprensa.

"Dados preliminares da África do Sul sugerem um risco de reinfeção mais elevado com a ómicron, mas são necessários mais dados para tirar conclusões mais sólidas. Existem também elementos que fazem pensar que a ómicron provoca sintomas menos graves do que a delta, mas também aqui é ainda demasiado cedo para haver certezas", afirmou.

* com agências

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG