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Covid-19

OMS pede "cuidado extremo" no levantamento de restrições perante aumento de casos

OMS pede "cuidado extremo" no levantamento de restrições perante aumento de casos

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou, esta quarta-feira, os governos para terem um "cuidado extremo" no levantamento total das restrições, face ao aumento recente de casos de covid-19, incluindo na Europa, onde cresceu cerca de 30%.

"Apelamos a um cuidado extremo no total levantamento das medidas de saúde e sociais neste momento porque isso terá consequências", afirmou o diretor executivo do Programa de Emergências de Saúde da OMS, no dia em que foram ultrapassados os quatro milhões de mortes provocadas pela pandemia no mundo.

Numa conferência de imprensa online, a partir de Genebra, Mike Ryan salientou que, apesar da redução das hospitalizações em países com elevados níveis de vacinação, a OMS tem registado um aumento de casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2 em todas as regiões do mundo, com exceção das Américas.

"Este vírus está a mutar e precisamos de ser muito cautelosos neste momento", alertou o responsável da OMS, ao lembrar que este aumento de transmissão na comunidade vai colocar em risco os grupos mais vulneráveis, especialmente, em países com uma reduzida taxa de vacinação contra a covid-19.

Depois de salientar que "cada país tem de tomar as suas próprias decisões", Mike Ryan considerou que a "ideia de que tudo está a voltar ao normal é, neste momento, uma assunção muito perigosa em qualquer parte do mundo", incluindo na Europa.

Na mesma linha, a responsável técnica da OMS para a pandemia, Maria Van Kerkhove, assegurou que grande parte da população mundial permanece ainda suscetível de ser infetada, o que faz com que o mundo "não esteja numa boa posição" no combate à pandemia.

"Esta não é a situação em que devíamos estar quando temos instrumentos à nossa disposição", lamentou a epidemiologista, ao avançar que as quatro variantes de preocupação do SARS-CoV-2 estão em circulação em centenas de países.

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Nesse sentido, adiantou que a delta, a variante predominante em Portugal, foi detetada já em 104 países, a alpha em 173, a beta em 122 e gamma em 74, sendo que alguns destes países têm mais do que uma destas variantes em circulação.

Segundo a especialista, o aumento global do número de casos de covid-19 deve-se ainda ao crescimento da mobilidade social que se regista em todo o mundo, ao levantamento das medidas de saúde e sociais e à insuficiente vacinação em alguns continentes.

Segundo o diretor-geral da OMS, numa altura em que a pandemia já provocou mais de quatro milhões de mortes, diversos países estão a registar crescimentos significativos de casos de hospitalizações, ao mesmo tempo que se debatem com falta de vacinas.

"As variantes estão, atualmente, a ganhar a corrida devido a uma inadequada distribuição de vacinas, o que ameaça a recuperação económica global", alertou Tedros Adhanom Ghebreyesus, lamentando que existam ainda milhões de trabalhadores da saúde e do setor social por vacinar.

"Não tinha de ser desta forma e não tem de ser desta forma a partir de agora", defendeu o responsável da OMS, para quem, "do ponto de vista moral, epidemiológico e económico agora é tempo do mundo se unir para atacar esta pandemia globalmente".

Segundo dados a OMS divulgados esta quarta-feira, o número cumulativo de casos relatados globalmente agora ultrapassa 183 milhões e todas as regiões registaram um aumento de novas infeções na última semana, exceto nas Américas.

A região europeia relatou um aumento acentuado na incidência de 30%, enquanto a região africana registou uma mortalidade de 23%, em comparação com a semana anterior, indica a OMS.

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