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Onda de calor na Califórnia "cozinhou" mexilhões ainda nas rochas

Onda de calor na Califórnia "cozinhou" mexilhões ainda nas rochas

Uma onda de calor no início de junho na Califórnia, nos Estados Unidos, originou a morte de centenas de mexilhões, literalmente cozinhados ainda nas rochas.

A coordenadora de investigação da reserva marinha de Bodega Bay, Jackie Sones, nunca tinha visto nada assim nos últimos 15 anos de trabalho na região: mexilhões mortos nas rochas, com as conchas abertas e cozinhados no interior.

As temperaturas recorde de junho terão sido a causa da morte de centenas, talvez milhares, de mexilhões em Bodega Head, um promontório no nordeste da Califórnia. E Jackie Sones recebeu indicações de outros investigadores sobre casos semelhantes em várias praias ao longo de 225 quilómetros de costa.

Em meados de junho, as temperaturas rondaram os 26 graus, agradáveis para os veraneantes que encheram as praias mas a exposição ao sol durante a maré baixa representou para os mexilhões nas rochas temperaturas acima dos 37 graus.

Jackie Sones receia que este elevado número de mortes afete o resto do ecossistema de moluscos. "Os mexilhões são conhecidos como uma espécie fundadora. O equivalente às árvores numa floresta - dão abrigo e são habitat para vários animais, por isso, quando há impacto nesse habitat-chave isso causa um efeito em cadeia no resto do ecossistema", explicou, citada pelo "The Guardian".

"Creio que terá impacto em toda a região", acrescentou.

As pesquisas dos últimos anos sobre o oceano têm recaído sobre o aumento das temperaturas das águas e os efeitos da acidificação na vida marinha. Algas e corais sofrem em águas mais quentes, as estrelas-do-mar derretem e há moluscos a desaparecer. Mas não há muita informação sobre o impacto de episódios de calor extremo na costa.

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O ecologista marinho Brian Helmuth, da Universidade de Northeastern, criou uma concha robótica que consegue medir e registar a temperatura real a que o animal está sujeito. "Já não fazemos este tipo de investigação a pensar nas alterações climáticas no futuro. É como nos preparamos para isso agora", sublinhou ao portal "Bay Nature".

Em 2004, o biólogo Christopher Harley, da Universidade da Colúmbia Britânica (Canadá), documentou a morte de mexilhões devido ao calor em Bodega Head, mas tanto ele como Jackie Sones acreditam que o caso atual é provavelmente maior. "Estes episódios vao ser cada vez mais frequentes e mais graves", prevê Christopher Harley.

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