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Onde pára o magnata chinês Jack Ma? Não é visto em público desde outubro

Onde pára o magnata chinês Jack Ma? Não é visto em público desde outubro

O multimilionário chinês Jack Ma, co-fundador e ex-presidente do gigante de e-commerce Alibaba, não é visto em público há mais de dois meses, alimentando as especulações à volta do seu paradeiro. "Desapareceu" após criticar os reguladores financeiros da China, pedindo reformas.

Com um património líquido, de acordo com a "Forbes", de 58,4 mil milhões de dólares (cerca de 47,50 mil milhões de euros), Jack Ma de 56 anos é considerado um dos homens mais ricos da China. Construiu um império, depois de ter crescido em circunstâncias humildes na China comunista.

No final de outubro de 2020, Ma criticou o sistema bancário da China durante uma conferência, equiparando a mentalidade da sua administração à de uma "casa de penhores". O discurso contra os reguladores caiu mal ao governo chinês, que não se coibiu em reprimir Ma e as suas empresas.

Os reguladores suspenderam aquela que teria sido a maior oferta mundial de ações da sua empresa Ant Group e foi desencadeada uma investigação anti-monopólio à Alibaba. No final de dezembro, os reguladores ordenaram a Ma que reduzisse o seu império.

Habituado aos holofotes, Ma não fez qualquer aparição pública nem comentário nas redes sociais, nas últimas semanas. A última vez que foi visto publicamente foi a 31 de outubro, na cerimónia de abertura do evento de compras anual chinês Double 11, transmitido online, relata a imprensa internacional.

Foi ainda substituído no júri do último episódio do programa de empreendedores "Africa"s Business Heroes", uma espécie de "Shark Tank".

A "Bloomberg" deu conta de que Ma tinha sido avisado no início de dezembro para não deixar o país. Os observadores mantêm-se cautelosos quanto a tirar quaisquer conclusões, perante as escassas informações confirmadas. De acordo com um funcionário do Alibaba, citado pela "BBC", Ma tira muitas vezes uns dias de folga antes do início do ano novo chinês, em fevereiro.

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Para o investigador Martin Chorzempa, do Instituto Peterson para a Economia Internacional, Ma poderá estar apenas a esconder-se. "Ninguém quer estar debaixo do olhar do público, quando a sua empresa está numa situação política muito complicada", disse à "Vice". A opinião é partilhada por outros especialistas.

Ma não é o primeiro magnata chinês a ser reprimido pelo governo da China, nem o seu "desaparecimento" é algo incomum entre os homens de negócios ricos naquele país.

Juntamente com uma equipa de 18 pessoas, fundou em 1999 na cidade de Hangzhou a Alibaba, empresa que cerca de 20 anos depois era já uma das maiores do mundo de comércio a retalho e eletrónico, com mais de 100 mil funcionários.

Retirou-se da Alibaba em setembro de 2019, tendo-se já especulado na altura que tal se devia à tensão com o Partido Comunista Chinês, cujos líderes pareciam desconfiar do seu poder e da sua influência descomunais.

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