Myanmar

ONG acusa junta militar de deter trabalhadores e destruir ajuda humanitária

ONG acusa junta militar de deter trabalhadores e destruir ajuda humanitária

A organização Fortify Rights acusou a junta militar birmanesa de deter trabalhadores humanitários e destruir a ajuda destinada a civis afetados pelo conflito em Myanmar (antiga Birmânia).

Num documento intitulado "Acesso Rejeitado", esta organização não-governamental (ONG) afirma que as forças da junta militar bloquearam a ajuda humanitária ao estado de Kayah, onde vivem mais de 100 mil pessoas deslocadas devido aos ataques de soldados birmaneses contra alvos civis.

A Fortify Rights (Reforçar os Direitos) documentou, através de mais de 20 entrevistas, bem como de fotografias e vídeos feitos no local, a detenção de pelo menos 14 trabalhadores humanitários e a destruição de alimentos, medicamentos e outras provisões destinados aos deslocados.

Este tipo de ações, sublinhou a organização humanitária, viola o direito internacional e pode constituir crime de guerra.

O relatório inclui o testemunho de trabalhadores humanitários que afirmam que a junta militar criou um clima de medo e de uma professora karenni, obrigada a fugir da região onde vivia e viver deslocada com duas crianças pequenas, que relatou o trauma que a violência causou na sua filha.

"Nós recolhemos água das montanhas, fazemos turnos e tentamos consumi-la com moderação", contou a professora, explicando que o abastecimento foi completamente cortado.

Para contornar o bloqueio imposto pela junta militar, a Fortify Rights propõe que a ajuda humanitária seja entregue diretamente aos civis deslocados através das fronteiras da Tailândia, China, Índia e Bangladesh, o que exige autorização dos governos desses países.

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A ONU acrescentou que os ataques contra civis em Kayah (leste) são semelhantes aos perpetrados pelos militares birmaneses noutras partes do país, como no estado de Chin (oeste) ou na região de Sagaing (noroeste).

Nos últimos meses, intensificaram-se os combates armados entre o Exército birmanês, que assumiu o poder em 1 de fevereiro, e os guerrilheiros étnicos, que já lutam há décadas, mas a quem se juntaram novas milícias civis criadas para combater a junta militar.

As Nações Unidas alertaram na terça-feira que os combates entre o Exército e estes grupos armados estão a "deteriorar a situação humanitária" em Myanmar e adiantaram estimar que três milhões de pessoas estejam a precisar de ajuda no país.

Desde o golpe militar, pelo menos 223 mil civis foram deslocados das suas casas devido ao conflito, aos quais se somam os deslocados, há vários anos, de 144 mil rohingya no estado de Rakhine (leste) e de mais de 105 mil pessoas nos estados de Kachin e Shan (nordeste).

Os militares justificaram o golpe de Estado com uma alegada fraude nas eleições de novembro do ano passado, apesar de o escrutínio ter sido considerado legítimo pelos observadores internacionais.

Os massivos protestos dos primeiros meses, brutalmente reprimidos pelos militares, foram, entretanto, substituídos por uma resistência armada contra a junta militar, acusada de ter matado mais de 1250 civis.

A Fortify Rights iniciou as suas operações em Myanmar em 2013.

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