Ucrânia

ONU considera autênticas as imagens de execuções de soldados russos

ONU considera autênticas as imagens de execuções de soldados russos

As análises preliminares efetuadas por especialistas do Gabinete de Direitos Humanos da ONU confirmam a autenticidade das imagens de vídeo que mostram a aparente execução de soldados russos que se renderam ao exército ucraniano, na aldeia de Makiivka.

"É altamente provável que as imagens sejam autênticas no que mostram. As circunstâncias reais de toda a sequência de eventos devem ser investigadas o mais extensivamente possível", disse o alto comissário da ONU para os direitos humanos, Volker Turk.

A Rússia acusou o Exército ucraniano da execução sumária de uma dezena de soldados após a ampla divulgação de uma série de vídeos em que se vê que se rendem às tropas ucranianas na aldeia de Makiivka, na região de Lugansk.

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No entanto, surge nas imagens um soldado russo a abrir fogo contra os ucranianos, altura em que o vídeo é interrompido. Mas, logo depois, aparecem imagens de cadáveres de 12 soldados russos deitados de barriga para baixo e com os braços abertos.

A ONU acredita que deve ser realizada uma investigação forense independente e pormenorizada para determinar o que verdadeiramente aconteceu.

As autoridades ucranianas abriram uma investigação criminal para determinar o que se passou, mas Turk enfatizou que qualquer denúncia de execução sumária deve ser investigada para que não fiquem dúvidas de que será realizada com transparência e imparcialidade.

"Peço às partes que deem instruções claras às suas forças para que não haja represálias ou vingança contra os prisioneiros de guerra", frisou o alto-comissário.

Turk denunciou também os bombardeamentos russos contra infraestruturas essenciais na Ucrânia desde o dia 10 e que, na passada quarta-feira, mataram oito civis, entre eles uma menina e um bebé de dois dias, num ataque a um hospital em Zaporijia.

O ataque causou também ferimentos em outras 45 pessoas, elevando para 272 o número de feridos e 77 mortos, em pouco mais de seis semanas, segundo factos apurados pelos observadores da ONU no terreno.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse, esta sexta-feira, ter confirmado ataques russos a 703 infraestruturas, sobretudo centrais de produção de energia, veículos, alimentos, medicamentos, pessoal médico e pacientes, que provocaram "centenas de mortes".

Dessa contagem, 618 ataques correspondem a instalações médicas. Apesar dos ataques, sublinha a OMS, o sistema de saúde ucraniano continua a funcionar.

Segundo a OMS, 90% dos doentes crónicos continuam a ser tratados, o mesmo sucedendo aos 95% dos que frequentaram centros de cuidados primários.

A ofensiva militar lançada a 24 de fevereiro pela Rússia na Ucrânia causou já a fuga de mais de 13 milhões de pessoas - mais de seis milhões de deslocados internos e mais de 7,8 milhões para países europeus -, segundo os mais recentes dados da ONU, que classifica esta crise de refugiados como a pior na Europa desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

A ONU apresentou como confirmados desde o início da guerra 6595 civis mortos e 10189 feridos, sublinhando que estes números estão muito aquém dos reais.

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