Relatório

ONU diz que narcotráfico se infiltrou na Polícia venezuelana

ONU diz que narcotráfico se infiltrou na Polícia venezuelana

Elementos de grupos de crime organizado relacionados com o narcotráfico podem ter-se infiltrado nas forças de segurança na Venezuela, segundo um relatório divulgado esta quinta-feira pela Junta Internacional de Fiscalização de Estupefaciente da ONU.

"Há indícios de que, na República Bolivariana da Venezuela, os grupos de criminosos organizados conseguiram infiltrar-se nas forças de segurança governamentais e criaram uma rede informal conhecida como 'Cartel de los Soles' para facilitar a entrada e saída de drogas ilegais", explicam os autores do relatório.

O documento, divulgado hoje em Viena, dá conta de que "nos últimos anos, grupos de criminosos organizados transportaram grandes quantidades de drogas ilícitas para a Europa e os Estados Unidos, a partir da Colômbia, passando pela Venezuela". "Para controlar esse tráfico, em particular o tráfico de cocaína através da América Central com destino aos Estados Unidos, os grupos de criminosos organizados controlam os portos marítimos e as aeronaves ligeiras, com as quais realizam voos ilegais", refere o documento.

A Junta Internacional de Fiscalização de Estupefaciente da ONU é "um órgão independente e quase judicial constituído por especialistas, criado pela Convenção Única sobre Estupefacientes de 1961" e integra 13 pessoas, dez propostas por diversos governos e três pela Organização Mundial da Saúde.

Segundo a fundação Insight Crime, dedicada ao estudo do crime organizado (a principal ameaça para a segurança nacional e dos cidadãos na América Latina e Caraíbas", o nome "Cartel de los Soles" está relacionado com as estrelas douradas dos generais da Guarda Nacional Bolivariana e foi usado pela primeira vez em 1993 no âmbito de uma investigação contra os responsáveis pelo combate ao narcotráfico.

Altos funcionários do Exército da Venezuela e do Governo venezuelano têm sido acusados ou sancionados, pelas autoridades norte-americanas, desde 2002, por crimes relacionados com o tráfico ilícito de substâncias estupefacientes e psicotrópicas. Em 2019, o ex-diretor dos serviços secretos da Venezuela, Hugo Armando Barrios, foi acusado pelos Estados Unidos de fazer parte do cartel, estando atualmente em parte incerta, depois de ter permanecido alguns meses em Espanha, onde a Polícia terá tentado detê-lo.

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