Síria

ONU está "muito preocupada" mas não condena explicitamente ofensiva turca

ONU está "muito preocupada" mas não condena explicitamente ofensiva turca

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, está "muito preocupado" com os últimos acontecimentos no nordeste da Síria, segundo afirmou esta quarta-feira um porta-voz, mas não condenou explicitamente a ofensiva lançada pela Turquia.

Em conferência de imprensa, Farhan Haq sublinhou que qualquer operação militar deve respeitar plenamente as normas internacionais e proteger a população e infraestruturas civis.

"O secretário-geral está muito preocupado com os últimos desenvolvimentos", manifestou.

Questionado repetidamente pelos jornalistas, Haq não quis nem condenar os movimentos da Turquia, nem pedir o fim dos ataques, algo que vários países europeus fizeram.

Porém, insistiu que, em qualquer caso, "não há solução militar" para o conflito na Síria, posição que a ONU mantém desde o início da guerra e que, segundo o porta-voz, até agora se tem demonstrado correta.

Nesse sentido, Haq vincou que apenas um processo político inclusivo e credível pode acabar com o conflito de maneira duradoura e lembrou que qualquer solução deve respeitar a soberania e integridade territorial da Síria.

Em comunicado divulgado na terça-feira, Guterres alertou sobre o "risco para os civis de qualquer possível ação militar" no norte da Síria e pediu a todas as partes a "máxima contenção".

Segundo Haq, funcionários da ONU estão em contacto com as várias partes e o secretário-geral estava, esta manhã, ao corrente da situação sobre os planos para o início da operação turca contra as milícias curdas.

As Nações Unidas estão também prontas para aumentar o apoio humanitário à população da região, como em outras ocasiões na Síria, mas o porta-voz enfatizou que é essencial que as vias de acesso permaneçam disponíveis.

Segundo apontou, a ONU não tem uma alternativa viável as travessias de fronteira desde a Turquia para facilitar o fornecimento a essa área, por isso é "vital" preservar completamente esses canais.

A pedido dos países da União Europeia, o Conselho de Segurança das Nações Unidas tem previsto reunir-se de emergência para discutir a situação, na quinta-feira.

Ao início da tarde de hoje, através da rede social Twitter, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou o início da ofensiva.

"As Forças Armadas turcas e o Exército Livre da Síria (rebeldes sírios apoiados por Ancara) iniciaram a operação 'Fonte de paz' no norte da Síria", declarou.

A ofensiva turca surge após o anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, no domingo, de que as tropas dos Estados Unidos iam abandonar a zona em causa.