Síria

ONU quer mais informação sobre situação na Síria

ONU quer mais informação sobre situação na Síria

O Conselho de Segurança precisa de receber mais informação sobre a situação "extremamente grave" na Síria antes de tomar uma posição sobre os confrontos., disse o embaixador de Portugal nas Nações Unidas.

"Há um consenso muito alargado, incluindo de russos e chineses, de que a situação na Síria é extremamente séria e grave, e que merece um debate aprofundado, na base do relatório oral que o Secretariado fará na quarta-feira", disse o Moraes Cabral à Lusa após a reunião.

O bloco de países da União Europeia membros do Conselho, que além de Portugal inclui França, Reino Unido e Alemanha, mantém em cima da mesa um projecto de declaração condenando a violência no país, que resultou na morte de centenas de manifestantes anti-governo nas últimas semanas.

À entrada da reunião, o embaixador da China na ONU disse ter instruções de Pequim e estar disponível para negociar, tendo em vista uma "solução política" de acordo com os "líderes árabes". O diplomata russo recusou-se a prestar declarações.

Depois de uma discussão inicial, terça-feira, sobre a proposta de declaração, o Conselho vai ouvir, esta quarta-feira, um "briefing" do subsecretário geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos, Lynn pascoe.

"A partir daí veremos o que é que vamos fazer colectivamente. A proposta UE4 mantém-se na mesa, esperamos que depois deste debate possa haver uma posição do Conselho clara e que contemple esta situação que é de facto grave", afirmou Moraes Cabral.

O diplomata português acredita que uma declaração possa ser emitida já esta quarta-feira. "Há um consenso quanto à gravidade, há também consciência de um grupo significativo de membros do Conselho de que é necessária mais informação sobre o que de facto se está a passar. Existem alguns relatos contraditórios. Esse é o objectivo da apresentação do Secretariado", adiantou.

Após a reunião, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, fez mais uma condenação pública da violência contra "manifestantes pacíficos" e apelou a um "inquérito independente, transparente e eficaz" à violência no país.

A embaixadora norte-americana, Susan Rice, classificou de "horrorosa e deplorável" a violência "do governo da Síria contra o seu próprio povo", e disse que o governo de Damasco "claramente não foi sério" quando prometeu maior liberdade de manifestação.

Bashar Ja'afari, embaixador da Síria na ONU, defendeu que o presidente sírio é "um reformista", e que a Síria está a sofrer com as "agendas escondidas" de países que se recusou a nomear. Para o representante sírio, o Conselho de Segurança deve tomar as suas posições com base em "informações oficiais" e não "da comunicação social".