Ajuda humanitária

ONU retoma operações aéreas no Afeganistão

ONU retoma operações aéreas no Afeganistão

As Nações Unidas (ONU) anunciaram que vão retomar o seu serviço aéreo humanitário através de operações aéreas no Afeganistão para permitir que 160 organizações continuem as suas atividades nas várias províncias do país.

O porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, declarou esta quinta-feira que o serviço de passageiros aéreos, operado pelo Programa Alimentar Mundial da ONU, com sede em Roma, está a fazer a ligação entre a capital do Paquistão, Islamabad, Mazar-i-Sharif no norte e Kandahar no sudeste do Afeganistão.

O mesmo responsável adiantou que, no âmbito do programa alimentar, três voos já se verificaram para Mazar-i-Sharif desde domingo e que esforços estão a ser feitos para intensificar essas operações "o mais rápido possível".

Dujarric revelou também que uma ponte aérea de carga está a ser estabelecida para transportar bens não alimentares, como medicamentos e outros suprimentos de emergência, para onde estes produtos são mais necessários.

Indicou igualmente que o serviço doméstico de passageiros do serviço aéreo humanitário precisa de 18 milhões de dólares norte-americanos e a ponte aérea de carga precisa de 12 milhões de dólares para continuar as operações.

"De 2002 a 2021, o serviço aéreo humanitário da ONU no Afeganistão atendeu a mais de 20 destinos no país", contabilizou Dujarric, prometendo que o serviço em causa tentará regressar "a esses locais assim que a segurança e o financiamento assim o permitam."

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Entretanto, em Istambul, o ministro dos Negócios Estrangeiros da Turquia referiu que o seu país está a avaliar planos para reabrir o aeroporto de Cabul.

Mevlut Cavusoglu disse, em conferência de imprensa em Ancara, que o Aeroporto Internacional Hamid Karzai poderia ser reaberto em duas etapas para voos militares e depois para voos comerciais, revelando que "há pedidos dos talibãs e de alguns países para cooperar" com a Turquia nesse propósito.

A Turquia opera no aeroporto de Cabul há seis anos ainda antes da retirada norte-americana e do ressurgimento dos talibãs, cujos líderes, em diálogo com o Catar, têm discutido tal reabertura, admitindo-se a cooperação técnica e logística da Holanda.

Em Roma, o primeiro-ministro italiano, Mario Draghi, vincou que os diplomatas estão a tentar localizar afegãos que fugiram da sua terra natal para o Irão e outros países que fazem fronteira com o Afeganistão, e que no passado trabalharam com a Itália.

Antes de terminar o seu transporte aéreo de Cabul, em 27 de agosto, a Itália retirou quase cinco mil afegãos que trabalharam com os militares italianos durante seu destacamento de 20 anos no Afeganistão, bem como as respetivas famílias e outros cidadãos considerados em risco.

Por seu lado, o governo albanês indicou que um outro grupo, composto por 37 afegãos, foi transferido de Cabul para Tirana, onde ficaram alojados num campus universitário. A Albânia já acomodou a maioria dos 644 afegãos que chegaram ao país, havendo a intenção de acolher até quatro mil afegãos.

Paralelamente, um porta-voz dos talibãs colocou numa rede social uma foto de um avião militar do Catar no solo no aeroporto Internacional Hamid Karzai, no Afeganistão.

Tratou-se da primeira atividade aérea em Cabul desde segunda-feira, quando o último voo de retirada dos EUA deixou o Afeganistão, pondo fim à guerra mais longa dos Estados Unidos além-fronteiras.

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