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Operação policial em Reims para deter suspeitos do atentado em Paris

Operação policial em Reims para deter suspeitos do atentado em Paris

Cerca de três mil polícias procuram os três homens que atacaram, esta manhã de quarta-feira, em Paris, o semanário satírico "Charlie Hebdo", no pior atentado dos últimos 40 anos no qual morreram 12 pessoas. A polícia já identificou e localizou os três suspeitos e há uma operação policial em curso, em Reims, para capturar dois dos atacantes. "Ninguém pode pensar que pode agir em França contra os valores da República", avisou o presidente francês, François Hollande.

Os suspeitos serão os irmãos nascidos em Paris, com origem argelina, Saïd e Chérif Khouachi, com 32 e 34 anos, e um terceiro homem, de Reims, com 18 anos, do qual se conhece apenas o primeiro nome: Hamyd M.

Chérif já terá cumprido três anos de prisão, por ter tentado viajar para o Iraque para combater contra as forças internacionais, em 2005.

Esta noite, em Reims, está a decorrer uma operação policial de grande dimensão para deter os suspeitos.

A operação está a ser levada a cabo por uma unidade de elite da polícia francesa para deter os suspeitos do ataque de Paris, que fez 12 mortos e mais de uma dezena de feridos, disse fonte oficial.

A mesma fonte apelou aos jornalistas no local para terem a "maior prudência", ao prever vários cenários adversos, como a possibilidade de os suspeitos escaparem às autoridades ou haver um tiroteio.

O chefe de Estado francês assegurou que os responsáveis pelo ataque ao "Charlie Hebdo" serão "perseguidos, detidos e apresentados ante a justiça".

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Hollande decretou ainda luto nacional em França na quinta-feira e fez uma curta declaração à nação transmitida pela televisão. "A nossa melhor arma é a nossa unidade. Nada pode dividir-nos, nada pode separar-nos", sublinhou, indicando que, no país, as bandeiras nacionais ficarão a meia-haste durante três dias.

O principal procurador parisiense explicou, já ao final da tarde, o que aconteceu esta manhã no "Charlie Hebdo".

Dois homens entraram no prédio, cerca das 11.30 horas (em França, menos uma hora em Portugal) e mataram uma pessoa na zona de entrada. Depois, subiram ao segundo andar. Os jornalistas estavam, nesse momento, numa reunião editorial. Os investigadores acreditam que os atacantes sabiam da hora e do lugar da reunião.

Abriram fogo com armas Kalashnikov, explicou François Molins, e gritaram "Allahu Akbar". "Vingámos o profeta", terão gritado os atiradores.

Doze pessoas, incluindo oito jornalistas, morreram, 11 ficaram feridas e quatro estão em condição crítica. As autópsias serão realizadas quinta-feira de manhã.

O diretor do semanário, bem como três outros reputados cartunistas, como o desenhador que já foi presidente do júri do Porto Cartoon, Georges Wolinksi, estão entre os mortos.

Durante os 10 minutos que durou o ataque, fizeram mais de 30 disparos, para depois se porem em fuga num carro, abrindo fogo contra os agentes da polícia que estavam na porta do prédio. Atingiram um deles, depois executaram-no à queima-roupa e fugiram de carro.

O edifício estava sob proteção devido a ameaças anteriores e aos diversos ataques que o semanário já tinha sofrido, o último há dois anos com um cocktail molotov.

A polícia encontrou, mais tarde, o carro onde seguiam, numa zona pobre, mas densamente povoada de Paris, o 19º Arrondissement.

O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, anunciou que houve três envolvidos no ataque. Cazeneuve disse que as autoridades francesas estão a fazer tudo para "neutralizar tão rapidamente quanto possível os três criminosos que cometeram este ato de barbárie".

Segundo o governante, a possibilidade de se tratar um ataque de origem islamista "é uma opção possível".

Os assaltantes gritaram "Allah Akbar" (Alá é Grande) e "afirmaram pretender vingar o profeta" Maomé, confirmou o procurador da República francês, François Molins, em declarações aos jornalistas.

Os terroristas roubaram depois um carro, com o qual atropelaram um peão. De acordo com o diário francês "Le Monde" o carro foi encontrado horas depois, abandonado numa zona perto de Pantin, nos arredores de Paris.

Enquanto as forças de segurança tentam deter os terroristas, o Governo francês elevou o máximo o nível de alerta face à possibilidade de atentado na região de Paris. O plano Vigipirate está no nível de "atentado".

O Vigipirate é um dispositivo permanente de vigilância, prevenção e proteção do país de luta contra o terrorismo, tutelado pelo primeiro-ministro francês, Manuel Valls.

O nível de alerta de atentado implica a colação em alerta dos serviços de emergência e das forças de ordem; o reforço do controlo de pessoas; a intensificação do controlo de explosivos; o aumento da participação das forças armadas nas missões de vigilância; a proibição de estacionamento próximo de centros educativos e a ativação de células de crise em ministérios, nas câmaras municipais e nas infraestruturas consideradas vitais.

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