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Oposição cubana insiste no protesto e Governo "defenderá a revolução"

Oposição cubana insiste no protesto e Governo "defenderá a revolução"

Oposição cubana mantém o protesto desta segunda-feira, apesar da proibição e dos avisos das autoridades. O presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, diz que o país está "preparado para defender a revolução".

O movimento "Archipiélago", plataforma de opositores e críticos do regime cubano, mantém a convocatória para uma Marcha Cívica pela Mudança, esta segunda-feira, em Cuba, pelas 20 horas locais (1 hora da madrugada de terça-feira, em Portugal Continental).

Num discurso televisivo, o presidente Miguel Díaz-Canel disse, sexta-feira, que o país está preparado "para defender a revolução" e "enfrentar qualquer ação de ingerência".

O Governo proibiu os protestos que considera uma tentativa apoiada pelos Estados Unidos de derrubar o regime. "Estamos tranquilos, seguros, mas atentos e alertas", avisou Miguel Díaz-Canel.

Reuniões públicas não autorizadas são ilegais em Cuba e aqueles que participarem no protesto correm o risco de ser presos. Em julho, milhares de pessoas unirem-se num protesto, gritando "liberdade" e "abaixo a ditadura" e mostrando o nível de descontentamento que muitos sentem, após mais de seis décadas de regime comunista. As autoridades prenderam várias pessoas.

"Vivem-se dias feios"

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Na sequência da manifestação de julho e das detenções, o dramaturgo Yunior García Aguilera criou um grupo na rede social Facebook chamado "Archipiélago", com o objetivo de conseguir autorização oficial para organizar manifestações pacíficas na capital cubana, Havana, e noutras cidades para exigir "direitos para todos os cubanos" e a libertação de presos políticos.

Não foi dada autorização para o protesto, mas a oposição insiste, mantendo a convocatória, tal como planeado, para o descontentamento sair às ruas. O correspondente da estação britânica BBC em Cuba, Will Grant, escreve que os organizadores acreditam que os cubanos mostrarão, esta segunda-feira a exaustão face ao regime comunista.

Temendo a reação do Governo ao protesto, e descrevendo as "pressões brutais" sofridas nos últimos dias, o dramaturgo Yunior García Aguilera anunciou domingo que se manifestaria sozinho. Sem desconvocar o protesto, García pediu que se "procurem soluções engenhosas para evitar pôr os manifestantes em risco", explicou numa entrevista por telefone à BBC Mundo.

Num vídeo partilhado nas redes sociais, Yunior García Aguilera conta que agentes de segurança do Estado à paisana cercaram a casa onde vive, impedindo-o de sair. García planeava caminhar até o à beira-mar de Havana, o Malecón, levando apenas uma rosa branca. "Não me permitiram sequer isso", lamenta Yunior Garcia.

"Vivem-se dias muito feios... Os piores tempos", partilha o dramaturgo no vídeo, lamentando que jovens apoiantes do regime possam manifestar-se na praça central de Havana.

Na entrevista à BBC News, García afirmou que a ligação da internet foi interrompida durante o vídeo. "Acho que estão a tentar manter-me incomunicável", disse.

Mais tarde, e enquanto Garcia tentava comunicar através de uma janela de casa, os vizinhos pró-revolucionários que moram acima fizeram baixar uma grande bandeira cubana para lhe tapar a vista.

A agência de notícias espanhola Efe disse que o Governo cubano retirou as credenciais de imprensa de cinco jornalistas. Duas foram devolvidas posteriormente e o Governo espanhol exigiu que as restantes três sejam devolvidas.

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