Genocídio

Oposição da Namíbia diz que programa da Alemanha é "insultuoso"

Oposição da Namíbia diz que programa da Alemanha é "insultuoso"

Os partidos da oposição na Namíbia classificaram como "insultuoso" o programa de desenvolvimento anunciado pela Alemanha para a reparação pelo genocídio dos grupos étnicos herero e nama cometido pelo império alemão no início do século passado.

"O governo alemão "recusa-se a aceitar o genocídio e a pagar indemnizações. Querem fugir da sua responsabilidade histórica e esconder-se atrás da ajuda ao desenvolvimento. Para eles somos inferiores", disse o secretário-geral da Organização Democrática de Unidade Nacional (NUDO), Joseph Kauandenge, em declarações citadas pela imprensa local.

Após cinco anos de negociações, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Heiko Maas, reconheceu esta sexta-feira que os massacres ocorridos entre 1904 e 1908 na Namíbia foram "genocídio" e, como "gesto de reconhecimento", a Alemanha financiará um programa de desenvolvimento na Namíbia de 1,1 mil milhões de euros durante 30 anos, como forma de reparação.

Para a deputada Inna Hengari, do Movimento Popular Democrático (PDM), deve ser realizada uma consulta sobre esta oferta, que também descreveu como insultuosa.

"Isto é um insulto. Nenhum dos três pilares dos pontos iniciais das negociações está a ser tratado e não foi cumprido. Os três pilares são o pedido de desculpas, o reconhecimento do genocídio e as reparações. Onde estão eles nesta oferta?", perguntou Hengari.

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Da mesma forma, o presidente do Congresso para a Democracia e Progresso (DPR), Mike Kavekotora, considerou que o governo tem sido "fraco na representação das comunidades afetadas" e "simplesmente aceitou o que estava em cima da mesa".

"Não creio que isso seja o melhor que o governo namibiano poderia obter da Alemanha", disse Kavekotora.

Pela sua parte, o enviado especial da Namíbia para o genocídio, Zed Ngavirue, disse que foi a sua equipa que ditou a oferta e que a Alemanha trabalhou com base nessa proposta.

Os representantes dos herero e dos nama exigiram uma compensação individual, que a Alemanha se recusou a aceitar desde o início, defendendo o investimento nas terras habitadas pelos dois grupos étnicos, que nunca foram totalmente recuperadas após as intervenções alemãs.

O presidente alemão Frank-Walter Steinmeier planeia viajar para a Namíbia e participar num evento comemorativo no Parlamento, onde pedirá formalmente perdão, informou a imprensa alemã.

Em novembro de 2019, o Parlamento alemão usou pela primeira vez a palavra "genocídio" para se referir a estes massacres.

Os historiadores estimam que, entre 1904 e 1908, as tropas do imperador alemão Wilhelm II massacraram cerca de 65 mil herero (de um total de cerca de 80 mil) e dez mil nama (de cerca de 20 mil) depois de se terem revoltado contra o domínio colonial alemão.

O plano de extermínio sistemático de homens, mulheres e crianças - pelas armas, pelo abandono no deserto ou pelo internamento em campos de concentração - antecipando outras limpezas étnicas do século XX.

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