Espanha

Oposição espanhola exige explicações sobre alegado financiamento ilegal do Podemos

Oposição espanhola exige explicações sobre alegado financiamento ilegal do Podemos

A oposição espanhola exigiu a presença no Parlamento do líder do Podemos e vice-presidente do governo de coligação, Pablo Iglesias, para explicar o alegado financiamento irregular do partido, que está sob investigação judicial.

O Partido Popular e o Ciudadanos apresentaram uma iniciativa conjunta para que Pablo Iglesias compareça numa sessão extraordinária do Parlamento, ainda durante o mês de agosto, para explicar as informações sobre o suposto financiamento irregular do partido.

O Partido Popular (PP), liderado por Pablo Casado, apresentou na quinta-feira um pedido para a realização extraordinária do Parlamento, mas hoje foi apresentada mais uma iniciativa - conjunta - com o Ciudadanos, para que Pablo Iglesias compareça também perante a Comissão para a Qualidade do Congresso dos Deputados, igualmente durante o mês de agosto.

Os dois partidos de direita querem que Iglesias preste esclarecimentos sobre o papel que terá desempenhado no alegado financiamento do partido, no âmbito do processo judicial iniciado esta semana na capital espanhola.

O Tribunal de Instrução (número 42) de Madrid acusou o partido Podemos, como entidade jurídica, e três dirigentes da cúpula partidária - o secretário de comunicação e responsável pelas campanhas, Juan Manuel del Olmo, assim como o tesoureiro e a gestora dos fundos, Daniel de Frutos e Rocio Val, respetivamente.

Os dirigentes do Podemos, assim como o partido, são acusados de má gestão de fundos públicos e más práticas administrativas (administração desleal, segundo a acusação em castelhano) na sequência de uma denúncia apresentada pelo ex-advogado do Podemos, José Manuel Calvente.

As iniciativas parlamentares da oposição espanhola têm de ser debatidas e votadas na Comissão Permanente que vai ser convocada este mês após o pedido do PP e Ciudadanos.

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Na quinta-feira, o ex-advogado do Podemos, Jose Manuel Calvente, que prestou declarações ao tribunal de instrução, afirmou num texto que difundiu na rede social Twitter que alguns dirigentes do partido "tinham metido a mão" na "caixa" do partido "em benefício próprio e, supostamente, de amigos".

"As diferenças entre todos os casos de corrupção de partidos em Espanha, no Podemos não estamos perante alegada corrupção de um partido mas sim de uma suposta 'corrupção dentro do partido', um alegado 'financiamento ilegal' de alguns dirigentes", escreveu Calvente numa mensagem anterior, igualmente difundida através da rede social Twitter.

"Não estamos perante os casos 'Gurtel' (que envolveu o PP) ou 'Filesa'(que envolveu o PSOE), estamos supostamente perante 'alegados desavergonhados' que 'meteram a mão' na caixa do partido para seu suposto benefício e, supostamente, de amigos", escreveu Calvente.

De acordo com o ex-advogado, o Podemos como partido "é uma vítima" e "devia perseguir" os responsáveis.

Numa última mensagem difundida através do Twitter na quinta-feira, Calvente insta os militantes do Podemos a tomarem uma posição porque, argumenta, "gente investigada não pode passar nem mais um minuto" a dirigir o partido.

O assunto está a gerar polémica em Espanha, com o jornal El Mundo a chamar "Caixa B" à alegada trama de corrupção que supostamente envolve o Podemos, partido de esquerda que faz parte da coligação governamental chefiada por Pedro Sanchez, líder do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

O jornal conservador ABC refere, citando fontes judiciais, que um dos pontos mais importantes da denúncia são supostamente os "salários" mensais irregulares a dirigentes do partido contra todas as normas estabelecidas pelo próprio Podemos.

O ABC diz que o juiz de instrução também considera relevante as obras executadas na sede do Podemos, em Madrid, sem que tenha sido concedida a devida licença, assim como os preços da adjudicação dos trabalhos.

"A adjudicação foi feita a dedo e a licitação foi uma farsa sobretudo porque o preço da adjudicação ascendia a 1.361.055 de euros quando o preço de licitação publicado era de 649.936,68 euros", terá referido o juiz de instrução, segundo a edição de hoje do jornal ABC.

Para o Podemos, as declarações de Calvente têm como base "rumores" e "especulações", refere hoje o El Pais.

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