Hungria

Oposição húngara pede a Viktor Orbán que cancele reunião com Putin

Oposição húngara pede a Viktor Orbán que cancele reunião com Putin

A oposição húngara pediu ao primeiro-ministro da Hungria, o ultranacionalista Viktor Orbán, que cancele o encontro, previsto para fevereiro, com o presidente russo, Vladimir Putin, por considerar que prejudica os interesses do país.

"Consideramos que o encontro amistoso (em 1 de fevereiro) entre Viktor Orbán e o Presidente Putin é prejudicial e contrário aos interesses nacionais", declararam todos os partidos da oposição húngara, da esquerda à direita radical, num comunicado conjunto publicado pelo diário digital Népszava.

O documento faz referência à situação "aguda" e "tensa" entre a Rússia e a Ucrânia, e garante que o encontro passaria a mensagem de que não há uma posição comum dos países da União Europeia (UE) e da NATO em relação às políticas de Putin.

Nos últimos dias, as tensões entre a Ucrânia e a Rússia aumentaram e os Estados Unidos da América (EUA), a UE e a NATO temem que a grande concentração de tropas russas perto da fronteira ucraniana seja o passo preliminar para uma operação militar contra Kiev.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que os parceiros europeus e aliados da NATO estão a preparar-se "para todas as eventualidades" caso falhe a diplomacia.

Por seu lado, o secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, alertou após uma conversa com o Presidente dos EUA, Joe Biden, e outros membros da Aliança Atlântica que qualquer agressão russa contra a Ucrânia terá "custos sérios".

Espera-se que na reunião entre Orbán e Putin, prevista para 01 de fevereiro, sejam discutidas várias questões, entre as quais a expansão da única central nuclear na Hungria por meio de um empréstimo russo.

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A expansão da central nuclear de Paks, no centro da Hungria, envolve a construção de dois novos reatores nucleares e os trabalhos estão a cargo da empresa estatal russa de energia nuclear Rosatom e são financiados com um empréstimo de 10 mil milhões de euros, através de um banco estatal russo.

Os críticos do projeto dizem que a central nuclear coloca a Hungria sob uma maior dependência financeira e política da Rússia e apresenta riscos ambientais e de segurança.

O ministro dos Negócios Estrangeiros húngaro, Peter Szijjarto, disse em 20 de janeiro - à margem de uma reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, em Nova Iorque - que aumentar o volume de fornecimento de gás russo, sob um contrato de 15 anos que a Rússia assinou com a Hungria no ano passado, também estará na agenda da reunião de Orbán com Putin.

O contrato, que prevê que 4,5 mil milhões de metros cúbicos de gás russo sejam entregues anualmente à Hungria através da Sérvia e da Áustria, incomodou a Ucrânia, vizinha oriental da Hungria.

O Governo de Kiev argumenta que o acordo prejudica os interesses nacionais da Ucrânia, já que contorna o país e provoca uma perda de receitas.

Szijjarto disse que as negociações de 01 de fevereiro entre Putin e Orbán também focarão a possibilidade de a Hungria passar a fabricar a vacina russa contra a covid-19 Sputnik V, que as autoridades sanitárias húngaras já administraram a quase um milhão de pessoas.

Orbán é encarado como o aliado mais próximo de Putin na UE e tem boas relações com o Presidente russo, com quem partilha valores conservadores, nacionalistas e cristãos.

A Hungria criticou as sanções da UE impostas após a anexação russa da península ucraniana da Crimeia, em 2014.

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