armas químicas

Oposição síria quer estender proibição de armas químicas a mísseis e aviação

Oposição síria quer estender proibição de armas químicas a mísseis e aviação

A oposição síria exigiu este domingo que, além de controlar as armas químicas, a comunidade internacional proíba o regime de Damasco de usar mísseis balísticos e a aviação contra civis.

"A Coligação Nacional Síria insiste que a proibição das armas químicas, cuja utilização deixou mais de 1.400 civis mortos, seja estendida ao uso de mísseis balísticos e aviões contra áreas urbanas", disse a organização em comunicado.

A oposição não comentou diretamente o acordo alcançado no sábado entre a Rússia e os EUA para eliminar o arsenal químico sírio, mas justificou o facto de Damasco aceitar a destruição das suas armas químicas com "o medo de um ataque militar".

A coligação reconheceu a necessidade de "aproveitar esta oportunidade de parar a campanha do regime contra zonas residenciais e de pôr fim ao sofrimento do povo sírio".

A juntar à proibição da ameaça aérea por parte do regime, a oposição pediu a recuperação de um plano para afastar o armamento pesado das áreas habitadas e para proibir o seu uso contra cidades, vilas e aldeias.

"Não devemos deixar que o regime sírio use a aceitação da Convenção de Armas Químicas como desculpa para continuar a matar sírios e escapar impune", acrescentou o comunicado.

"O controlo das armas químicas do regime deve ser acompanhado de uma busca de justiça para os autores dos ataques químicos, que devem ser levados ao Tribunal Penal Internacional".

A coligação pede também aos seus apoiantes árabes e internacional para que reforcem a capacidade militar da oposição, o que lhe permitiria neutralizar o poder aéreo do regime e forçar o presidente, Bashar al-Assad, a acabar com a campanha militar e aceitar uma solução política que garanta uma transição democrática.

Os EUA e a Rússia chegaram no sábado a acordo sobre um plano de eliminação das armas químicas sírias que dá uma semana a Damasco para apresentar a lista destas armas e prevê a adoção de uma resolução da ONU.

Os Estados Unidos e a Rússia "estão de acordo que a resolução da ONU se refira ao capítulo 07 sobre o recurso à força", anunciou hoje em Genebra o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, ao fim de três dias de discussões com o seu homólogo russo, Sergei Lavrov, em Genebra.

O acordo entre Washington e Moscovo prevê para o regime de Damasco prazos muito mais curtos do que aqueles que estão estabelecidos na Convenção para a Proibição de Armas Químicas para a eliminação de arsenais químicos.

Segundo o acordo agora alcançado, inspetores deverão estar no terreno, na Síria, até novembro, com o objetivo de eliminar as armas químicas do país até meados de 2014.

De acordo com as Nações Unidas, o conflito na Síria - em que a contestação popular ao regime degenerou em guerra civil - fez mais de 100 mil mortos desde 2011 e perto de dois milhões de refugiados, que têm sido acolhidos sobretudo na Jordânia, Turquia e Líbano.

Os EUA estimam que a Síria possua mil toneladas de vários agentes químicos, incluindo gás mostarda e gás sarin.