Venezuela

Oposição venezuelana recusa "Conferência de paz"

Oposição venezuelana recusa "Conferência de paz"

A aliança que integra a maioria das forças de oposição na Venezuela anunciou que não vai comparecer, esta quarta-feira, na "Conferência nacional de paz" convocada pelo Governo sobre a situação no país, após considerar que o convite sugere um "simulacro de diálogo".

"Não participamos naquilo que vai ser um simulacro de diálogo e que terminará num logro para os nossos compatriotas", disse em comunicado a Mesa da Unidade Democrática (MUD).

A aliança opositora defendeu a necessidade de promover um diálogo para terminar com a escalada de violência no país, mas assinalou que as conversações não podem decorrer "com leviandade e improvisação".

"Não é o momento para escutar discursos nem sequer para participar numa sessão de retórica, perante os olhos de um país que se debate entre a ira e a angústia", indicou a MUD.

Após considerar "grave" a situação do país, a MUD pede ao Governo do Presidente Nicolás Maduro para "enfrentar a dura realidade" e estabelecer um diálogo "sem truques nem cartas escondidas" e em condições de "respeito mútuo".

O líder da oposição, Henrique Capriles, derrotado à justa por Maduro nas presidenciais de abril de 2013, convocadas após a morte por doença do antigo chefe de Estado Hugo Chávez, tinha já assegurado hoje que a oposição "está a favor da paz", e advertido que não participaria num "séquito", numa referência ao convite para a "conferência nacional da paz".

O governador do estado de Miranda lamentou ainda que após quase três semanas de protestos, com um balanço de 15 mortos e 150 feridos, o governo continue a insistir em "técnicas repressivas" e a "apagar o fogo com gasolina".

Em dezembro, o chefe de Estado venezuelano tinha já apelado aos presidentes de câmara e governadores da oposição a um diálogo sobre o tema da insegurança, que não se concretizou.

Mas Maduro continua convencido sobre a "conclusão de grandes acordos" durante esta conferência. O patronato, muito crítico face ao Governo, e o episcopado, já confirmaram a sua presença no diálogo. Pelo contrário, os líderes estudantis e os reitores das universidades não terão sido convidados, de acordo com informações recolhidas pela agência noticiosa AFP.

Esta iniciativa surge na sequência de uma nova marcha de estudantes venezuelanos que decorreu na terça-feira mas com fraca mobilização, e que ilustra algum esgotamento do movimento desencadeado em 4 de fevereiro contra o governo "pós-chavista".