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Opositor do Governo brasileiro também terá recebido suborno

Opositor do Governo brasileiro também terá recebido suborno

O candidato derrotado por Dilma Rousseff na última eleição presidencial brasileira é acusado pelo senador do Partido dos Trabalhadores Delcídio do Amaral de ter recebido subornos e dinheiro desviado, mas o seu gabinete nega todas as acusações.

As alegações contra Aécio Neves estão no quarto termo de depoimento da delação premiada [prestação de informações em troca de possível redução de pena] de Delcídio do Amaral, que foi homologado hoje pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo o testemunho do senador do PT, Aécio Neves, do PSDB, terá sido beneficiário de um esquema de desvio de dinheiro e pagamento de subornos em Furnas, uma grande empresa do setor elétrico que tem participação do governo federal brasileiro.

Delcídio é um dos políticos investigados pelo Ministério Público na operação Lava Jato, que apura a participação de grandes construtoras, executivos e parlamentares nos esquemas de corrupção da petrolífera Petrobras.

O senador 'petista' confirmou o pagamento de suborno a Neves, já citado no depoimento de outro envolvido no caso, o doleiro Alberto Youssef.

"Questionado ao depoente quem teria recebido valores de Furnas, o depoente disse que não sabe precisar, mas sabe que Dimas [ex-presidente de Furnas] operacionalizava pagamentos e um dos beneficiários dos valores ilícitos sem dúvida foi Aécio Neves", lê-se numa passagem da delação de Delcídio.

Apesar de já ter sido citado anteriormente por outros envolvidos na operação Lava Jato, a Justiça brasileira não abriu nenhuma investigação contra Aécio Neves.

Questionado pela Lusa, o gabinete do senador do PSDB disse em nota que Delcídio do Amaral citou o nome de Aécio Neves em três circunstâncias e que em todos os casos as acusações são falsas.

"São citações mentirosas que não se sustentam na realidade e se referem apenas a ouvir dizer de terceiros" afirma a nota.

Sobre a menção ao nome de Aécio com relação a propinas pagas em Furnas, na nota frisa-se que Delcídio repete o que vem sendo amplamente disseminado há anos pelo Partido dos Trabalhadores (PT), que "tenta criar falsas acusações" envolvendo nomes da oposição.

"É curioso observar a contradição na fala do delator já que ao mesmo tempo em que ele diz que a lista de Furnas é falsa, ele afirma que houve recursos destinados a políticos", conclui-se na nota.