EUA

Orelhas de macaco e lábios grandes. Desfile de moda acusado de racismo

Orelhas de macaco e lábios grandes. Desfile de moda acusado de racismo

Uma faculdade de moda de Nova Iorque, nos Estados Unidos, foi acusada de racismo depois de ter pedido a modelos que usassem orelhas prostéticas, lábios grandes e sobrancelhas grossas num desfile de uma coleção realizada por estudantes de design de moda, num evento em Manhattan, Nova Iorque.

Os acessórios foram criticados pela modelo afro-americana Amy Lefevre, que recusou usá-los por serem "claramente racistas", como "orelhas de macaco" e lábios grandes. O desfile foi realizado pelo Fashion Institute of Technology (FIT), no passado dia 7 de fevereiro.

"Estava quase a chorar. Disse à equipa que me sentia incrivelmente desconfortável por ter que usar aquelas peças e que eram claramente racistas", disse a modelo de 25 anos ao "New York Post". "Disseram-me que não havia problema se me sentisse desconfortável por apenas 45 segundos".

Lefevre, que é modelo há quatro anos, disse que não lhe é estranha a intolerância da indústria, mas que nunca experimentou algo tão mau como o evento do FIT. "Estava literalmente a tremer. Não conseguia controlar as emoções. O meu corpo inteiro estava a tremer. Nunca me senti assim na minha vida", afirmou Lefevre.

"As pessoas de cor estão a passar por muito em 2020 para que os promotores não pensem e clarifiquem os acessórios para os desfiles". A modelo acabou por desfilar, mas sem as orelhas gigantes ou os lábios sintéticos de um vermelho brilhante, retirados de um brinquedo sexual. Lefevre saiu do evento imediatamente depois.

O FIT já comentou o caso e disse que está a ser investigado. "Para já, não parece que a intenção original do design, o uso de acessórios ou a direção criativa do desfile seja fazer uma declaração sobre a raça", disse o presidente do FIT, Joyce F. Brown, em comunicado.

"No entanto, agora é óbvio que foi esse o resultado. Por isso, pedimos desculpa - àqueles que participaram no desfile, aos estudantes e a qualquer pessoa que se tenha sentido ofendida com o que viu", acrescentou.

Também Jonathan Kyle Farmer, diretor do curso de design de moda moderna de artes plásticas que dirigiu o desfile, pediu desculpa diretamente à modelo. "Peço desculpa por qualquer dano e dor que causei aos envolvidos no desfile, incluindo Amy Lefevre", disse numa publicação no Instagram. "Assumo total responsabilidade e estou comprometido em aprender com essa situação e tomar medidas para melhorar".

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