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Ventiladores: os critérios para a decisão mais difícil

Ventiladores: os critérios para a decisão mais difícil

Associação Americana de Médicos (AMA) definiu orientações para atribuir ventiladores.

O imparável avanço do novo coronavírus intensifica em vários países a necessidade de ligar os doentes a um ventilador para poderem sobreviver. Em condições normais, qualquer pessoa teria direito a ele, mas cresce o temor das autoridades sanitárias perante a possibilidade real de não haver ventiladores que cheguem.

A Associação Americana de Médicos (AMA), nos EUA, país agora recordista de infeções com Covid-19, definiu já critérios de decisão quanto ao acesso dos doentes a ventiladores em caso de escassez, para tentar responder de modo uniforme a uma questão ética e moral. Até porque alguns estados tinham já recomendado que se barrasse o acesso aos cuidados intensivos a grandes grupos de doentes com insuficiência cardíaca, pulmonar ou renal.

escala e idade

A AMA desenhou uma escala de classificação de doentes com Covid-19 de 1 a 8 pontos de gravidade, em função das probabilidades de sobrevida depois de receber alta hospitalar. O método nem é novo: já se adota com sucesso para transplante de pulmão ou de coração. A evolução da pandemia altera a disponibilidade dos ventiladores todos os dias, sendo que quantos mais estiverem disponíveis, mais se alarga o acesso a doentes com menor pontuação na escala.

A idade do doente também tem influência direta na decisão. Os médicos vão sempre tentar salvar as pessoas que possam ter mais vida pela frente. Por isso, em caso de empate na anterior classificação, as pessoas mais novas têm prioridade nos cuidados intensivos. Além dos jovens, os profissionais de saúde que possam ajudar a salvar mais vidas devem ser tratados com maior prioridade.

São critérios complexos de executar pelo pessoal de saúde, a quem caberá tirar o ventilador a uma pessoa para poder tratar outra. Para evitar o choque psicológico nos médicos, propõe-se a criação de equipas de triagem para tomar a decisão. E determina-se que, em caso de suspensão de tratamento, os cuidados paliativos são obrigatórios. A família poderá despedir-se, mas só por videoconferência.

Catalães limitam aos mais de 80 anos

Os serviços médicos da Catalunha são mais taxativos do que a AMA: perante um colapso das unidades de cuidados intensivos, deve- -se "limitar o esforço terapêutico com os pacientes com mais de 80 anos". A determinação consta de um documento interno entregue em 25 de março aos profissionais de saúde do Sistema de Emergência Médica, que depende do Departamento de Saúde do Governo regional. Trata-se de dar "prioridade àqueles que mais podem beneficiar, em termos de anos de vida ou da máxima possibilidade de sobrevivência" e de, em vez de entubar os mais velhos, assisti-los com máscara de oxigénio. À falta de evolução, a morfina pode ser a solução para aliviar a sensação de falta de ar. As recomendações - que têm base em critérios científicos e éticos - são corroboradas pelo Conselho das Associações Médicas da Catalunha e pelo Observatório de Bioética da Universidade de Barcelona.

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