Clima

Os mitos que persistem sobre as alterações climáticas

Os mitos que persistem sobre as alterações climáticas

Os líderes mundiais vão ter "a última grande oportunidade de retomar o controlo" do clima na COP26, em Glasgow, a partir de 31 de outubro até 12 de novembro. Mas há ainda quem não acredite que o Homem é o grande responsável pelas alterações climáticas no planeta.

Diz o velho ditado que contra factos não há argumentos e apesar das mudanças no clima serem notórias e sentidas um pouco por todo o mundo, existem ainda alguns céticos que desresponsabilizam o papel do Homem nas alterações climáticas. A AFP reuniu os principais mitos relacionados com esta temática.

Teorias da conspiração

Alguns classificam a crise climática como uma artimanha criada pelos cientistas, para conseguirem financiamento para as suas investigações, ou até mesmo uma conspiração dos governos para controlar as pessoas. A ser verdade, era um plano com uma complexidade extraordinária, coordenada por diferentes governos em dezenas de países e por inúmeros cientistas também. Mas diversos estudos e investigações já provaram que as as alterações climáticas são causadas pela ação do Homem.

"O tempo sempre foi instável"

Os cientistas sabem que a Terra durante muito tempo alternou entre o período da idade do gelo e os períodos de aquecimento, mais concretamente a cada 100 mil anos ao longo dos últimos milhões de anos. Por isso, muitos acreditam que o aquecimento atual é apenas mais uma fase deste ciclo.
No entanto, a velocidade e a extensão global do aquecimento nos últimos 50 anos tornam-no diferente.
"A temperatura global da superfície aumentou mais rapidamente desde 1970 do que em qualquer outro período de 50 anos, durante pelo menos os últimos dois mil anos", de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), o órgão das Nações Unidas responsável por avaliar as alterações climáticas.

"Não somos responsáveis pelas mudanças climáticas "

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Ainda que sejam capazes de admitir que o aquecimento global existe, os céticos negam que este seja provocado pelas emissões de carbono dos seres humanos. Segundo a AFP, o IPCC desenvolveu um modelo climático que mede o impacto de diferentes fatores no clima. Calcula a extensão do aquecimento com e sem o efeito da atividade humana. "É inequívoco que a influência humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra", concluiu um relatório do Instituto deste ano.

"Aquecimento é bom"

"Grande parte do país está a sofrer de enormes quantidades de neve e quase a bater um recorde de frio.... Não seria mau ter um pouco desse bom e velho aquecimento global neste momento?". O tweet de Donald Trump, do dia 20 de janeiro, misturava um mito climático, onde se acredita que o tempo frio prova que o aquecimento global não existe.

A verdade é que um dia ou uma semana de neve não é suficiente para provar que as temperaturas médias não estão a subir ao longo de décadas. Poderá "aquecimento global" ser agradável? Partes da Sibéria poderiam tornar-se aráveis e poderia expandir-se os recursos alimentares na região, mas o derretimento do permafrost, que contém o equivalente a mais de 1,7 triliões de toneladas de carbono orgânico, ameaça criar mais problemas. Segundo o IPCC, uma subida de dois graus da temperatura da Terra é o suficiente para aumentar o nível da água do mar em meio metro ou mais e o suficiente para afogar imensas as cidades costeiras.

Os próprios cientistas questionam se as alterações climáticas são reais

Alguns especialistas exprimem, frequentemente, o ceticismo em relação ao aquecimento global. Mas, muitas vezes, os que se mostram céticos em relação a este assunto não são cientistas climáticos. Entre os critérios dos cientistas para medir a legitimidade das alegações, um dos mais importantes é o consenso - e o consenso sobre as alterações climáticas é neste momento inequívoco.

Uma recente investigação da Universidade de Cornell, nos EUA, a milhares de estudos revistos por pares sobre as alterações climáticas revelou que em mais de 99% deles os autores concordaram que as alterações climáticas foram causadas pelos seres humanos.

Todos os dias chegam notícias de mais um dilúvio, de inundações, de furacões, de ondas de calor e ainda de incêndios devastadores um pouco por todo o mundo. A natureza está descontrolada e os efeitos das alterações climáticas já têm impacto em 85% da população mundial, segundo uma análise feita pelo Instituto Mercator a cerca de 100 mil estudos publicados entre 1951 e 2018.

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