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Os novos mitos e falsidades da vacina contra a covid-19

Os novos mitos e falsidades da vacina contra a covid-19

O início da vacinação contra a doença provocada pelo coronavírus, já em curso nos EUA e Reino Unido, está a levantar teorias falsas sobre o medicamento da imunidade. Eis algumas das mentiras mais divulgadas.

A vacina não existe, é tudo encenado

Estão a ser divulgados nas redes sociais vários vídeos da BBC News que "provam" que as vacinas da covid-19 são falsas e que a sua administração, que começou esta semana, é uma mentira encenada. A teoria é partilhada por ativistas anti-vacina, que truncaram as imagens da BBC. Uma conta de Twitter inglesa, e que já teve meio milhão de visualizações, usa como exemplo da "falsidade" o facto de serem usadas seringas com agulha retrátil - isto é, a agulha encolhe para o interior da tômbola após a aplicação, o que é uma medida de segurança num dispositivo que já existe há décadas, nada mais.

A enfermeira que morreu da vacina

Autoridades sanitárias do Alabama, nos EUA, divulgaram esta semana um comunicado a condenar veementemente a "notícia" de uma enfermeira de 40 anos que morreu depois de tomar a vacina da Pfizer. As autoridades contactaram todos os hospitais do Estado e "confirmam que ninguém morreu" após na toma do medicamento da imunidade e que as "notícias" que circulam no Facebook são "evidentemente falsas".

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Vacina tem tecidos de feto

Outra teoria dos adeptos anti-vacinas: o medicamento curativo contém tecido pulmonar de um feto abortado. É mentira. "Não há células fetais usadas em qualquer processo de produção das vacinas", disse Michael Head, cientista da Universidade de Southampton, citado pela BBC.

O vídeo dos 30 "especialistas"

As redes sociais do Reino Unido foram esta semana inundadas por um vídeo de 30 minutos com uma série de afirmações falsas e infundadas sobre a pandemia. Esse vídeo, designado "Pergunte aos especialistas", contém testemunhos de 30 "médicos" dos EUA, Reino Unido, Suécia e Bélgica. Um dos "especialistas" diz que a covid-19 é "a maior farsa da história" e outro alega que a vacina não é segura nem sequer eficaz porque "não houve tempo suficiente para a estudar". As alegações são obviamente falsas.

Não houve testes em animais: as cobaias somos nós

Outra teoria que pulula na internet tem a ver com a rapidez com que foi descoberta a cura pelo soro imunológico e que coloca em xeque a tecnologia por trás das várias vacinas. Alegadamente, a indústria farmacêutica teria sido autorizada a eliminar uma fase fundamental dos testes, justamente a fase em que o soro era experimentado em animais. Os conspiradores diziam mesmo que "nós, os humanos, é que somos as verdadeiras cobaias". A teoria é, claro, falsa: as vacinas da Pfizer BioNTech, Moderna e Oxford/Astra Zeneca foram testadas em centenas de animais e houve ainda testes em milhares de humanos, antes de serem licenciadas.

A vacina altera o ADN

É outra teoria estapafúrdia: a vacina da covid altera o composto orgânico das moléculas que contêm a informação genética dos seres vivos, ou seja, modifica o ADN. É falso. A BBC questionou três cientistas e todos foram unânimes: a vacina contra o coronavírus não tem capacidade para alterar o ADN humano. Algumas das novas vacinas, incluindo a da BioNTech, usam um fragmento do material genético do vírus, o RNA mensageiro. Terá sido isso que fez propagar a mentira: "Injetar RNA não faz nada ao ADN de uma célula humana", disse o professor Jeffrey Almond, da Universidade de Oxford.

Bill Gates mete chips na vacina

Por último, uma teoria espalhada por todo o mundo virtual e que envolve Bill Gates: o milionário da Microsoft estaria a usar a pandemia do coronavírus como "cobertura para um plano massivo de implantação de microchips para rastrear humanos". É "manifestamente falso", já disse a Fundação Bill e Melinda Gates: a vacina é um soro líquido e não contém, obviamente, qualquer chip ou dispositivo de localização.

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