Inglaterra

Pai condenado por abuso sexual depois de filha gravar a confissão

Pai condenado por abuso sexual depois de filha gravar a confissão

Uma mulher britânica, de 31 anos, gravou o pai a confessar o abuso sexual que perpetrou ao longo de 20 anos. Raymond Prescott foi condenado a 12 anos de prisão.

Layla tinha apenas sete anos quando o pai a agrediu sexualmente pela primeira vez. "É o nosso segredo", terá afirmado o britânico à criança. O crime repetiu-se ao longo de 20 anos, até que, em 2013, a filha entregou às autoridades a gravação de uma conversa em que o homem de 54 anos confessou o ocorrido.

Em dezembro de 2012, Layla, com 27 anos, foi a casa do pai com uma amiga. Como Raymond Prescott estava embriagado, a filha teve de o ajudar a ir para o quarto, altura em que o homem tentou agarrá-la. Aquela viria a ser a última vez que o fazia. Mal chegou ao carro, Layla "foi-se abaixo" e contou tudo à amiga, que sugeriu que ela voltasse lá para gravar o pai.

"Guardei [a gravação] para mim. Nessa altura, estava a beber imenso e não conseguia arranjar coragem [para entrega-la às autoridades]", explicou ao jornal "Daily Mail". Apenas dois meses depois é que a britânica entregou as provas à polícia.

Na gravação, que dura sete minutos, Raymond Prescott tentou persuadir a filha a continuar o contacto sexual. "Nós já tivemos relações sexuais. Ninguém vai descobrir, nós podemos manter o segredo. Eu não consigo fazê-lo com mais ninguém e apreciar, por isso quero que seja contigo", afirmou.

O homem, natural de Clifton, Nottingham, continuou: "Eu sei que é errado, és a minha filha. Queria que não fosses a minha fillha".

Após a entrega da gravação, Raymond Prescott foi acusado de cinco crimes de violação, que negou. Ficou em liberdade até ao julgamento, em maio de 2016, altura em que foi condenado a 12 anos de prisão.

Aquela não foi, no entanto, a primeira vez que a filha tentara recorrer às autoridades. Em 2001, com apenas 16 anos, Layla tentou fazer queixa na polícia. A jovem contou com o apoio do namorado e da tia, mas enfrentou reações negativas por parte dos restantes familiares. A mãe, por exemplo, não olhava nem falava com ela. "Eu acho que ela tinha vergonha por não ter sabido antes. Eu acho que ela acreditava em mim, mas estava em choque", explicou. A adolescente retirou a queixa após receber ameaças de morte por parte de membros da família paterna.

Layla, atualmente com quatro filhos, abriu mão do anonimato para dar o seu testemunho ao jornal britânico.