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País Basco é a região com maior participação nas eleições

País Basco é a região com maior participação nas eleições

O País Basco é a única região espanhola que, até ao momento, regista uma participação eleitoral mais elevada do que em 2008, evidenciando o facto de o voto deste domingo ser o primeiro na democracia espanhola sem a violência da ETA.

Dados divulgados no centro de acompanhamento eleitoral, instalado pelo Ministério do Interior no Palácio dos Congressos, em Madrid, confirmam que cerca das 14horas já tinham votado no País Basco 38,36 % dos eleitores, mais um ponto percentual que em 2008.

Em todas as outras regiões espanholas o voto está a ser menor do que há três anos, com a média a ficar cerca de três pontos abaixo dos valores de 2008.

Líderes políticos bascos apelaram hoje à votação massiva "em liberdade" dos cidadãos bascos, recordando que as eleições legislativas de hoje decorrem depois de a organização terrorista ETA ter anunciado o fim definitivo da acção armada.

Patxi López, lehendakari (chefe do governo basco), recordou, este domingo, depois de votar, a importância histórica da votação, onde todos sabem, afirmou, "a importância do que está em jogo" num dia que, no País Basco é "verdadeiramente dia de festa da democracia".

"É a primeira vez que realizamos umas eleições em absoluta liberdade, sem nenhum tipo de ameaça ou extorsão e devemos celebrar isso correspondendo: votando", afirmou.

López mostrou-se "convicto que a sociedade basca sabe a importância do que está em jogo, sabe a extraordinária importância das decisões que tem que adoptar o Governo que saia das urnas".

AS eleições de hoje caracterizam-se também pela participação, depois de uma ausência de 15 anos, da esquerda abertzale (patriótica) basca que pode conseguir um regresso fulgurante ao Congresso de Deputados.

Para o conseguir, aposta na estreante coligação Amaiur - formada pela esquerda abertzale (patriótica), pela EA, Alternatiba e Aralar.

Impulsionada pela declaração de fim de luta armada da ETA e por um ambiente de paz - em 2008, dois dias antes do voto, a ETA assassinou o ex-vereador socialista Isaías Carrasco - a Amaiur pode vir a receber muito do voto nacionalista que, até aqui, tem ido para o Partido Nacionalista Basco (PNV).

Num cenário de maioria absoluta o apoio eventual da Amaiur é menos importante mas, se o novo Governo precisar de apoio para governar, então os eventuais três deputados da coligação podem ser relevantes.

Potencialmente, porém, é a nível do próprio País Basco, que o efeito da Amaiur pode ser mais relevante.

Caso consiga um forte apoio - com perdas paralelas para o PSE (socialistas bascos) e para o PNV -- prevê-se que aumentem as vozes em defesa de eleições antecipadas na região, actualmente marcadas para 2013.

Tradicionalmente a esquerda abertzale tem sido, no País Basco, a terceira ou quarta força, aspirando este ano a conseguir uma maior fatia dos 18 lugares que a região 'envia' para o Congresso de Deputados.

As últimas legislativas em que participou foi em 1996 e desde aí - primeiro pela renuncia voluntária de 2000 e depois pelas sucessivas ilegalizações das forças com que se apresentou - a esquerda abertzale tem vindo a permanecer fora do confronto eleitoral nacional.

O objectivo este ano é ultrapassar os cerca de 12,5% que obteve em 1996, quando se tornou na quarta força política.

Esta aspiração, a acreditar nas sondagens, parece facilmente concretizável, já que se antecipa que possa vir a ter praticamente o mesmo apoio que o PNV, tradicionalmente a primeira ou segunda força mais votada.

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