Médio Oriente

Palestinianos culpam "plano Trump" pelo aumento da violência

Palestinianos culpam "plano Trump" pelo aumento da violência

Os palestinianos rejeitaram, esta sexta-feira, alegações norte-americanas de incitação à violência, responsabilizando o "plano Trump", após um dia de confrontos e ataques em Jerusalém e na Cisjordânia que causaram três mortos palestinianos e 14 feridos israelitas.

O genro do presidente norte-americano Donald Trump, e arquiteto do plano para resolver o conflito israelo-palestiniano, Jared Kushner, afirmou na quinta-feira que o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, era "responsável" pela violência dos últimos dias em Israel.

"[Mahmud Abbas] pediu dias de raiva antes de ver o plano de paz [que foi divulgado na semana passada]", disse Kushner aos jornalistas após uma reunião no Conselho de Segurança da ONU sobre o "plano Trump".

"Os que apresentam planos para anexação e 'apartheid' e legalização da ocupação e colonatos são os que têm total responsabilidade por aprofundar o ciclo de violência e extremismo", declarou, esta sexta-feira, Saeb Erekat, secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina, num comunicado.

Kushner disse ainda que "os dirigentes palestinianos têm uma longa história de pagamento às famílias dos terroristas, de incitação às intifadas (revoltas) quando não obtêm o que querem".

"Penso que a comunidade internacional está cada vez mais cansada deste comportamento", sublinhou Kushner, congratulando-se com a reunião com o Conselho de Segurança, que classificou de "muito construtiva".

Erakat disse que Abbas apresentará em breve o seu próprio plano ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, com base na lei internacional e na solução dos dois Estados nas fronteiras de 1967.

Os palestinianos querem um Estado independente na Cisjordânia, Jerusalém Oriental e Faixa de Gaza, territórios ocupados por Israel na guerra de 1967.

Consideram os colonatos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental - onde vivem cerca de 700 mil pessoas - um dos principais obstáculos à paz. A maioria da comunidade internacional considera os colonatos ilegais.

O "plano Trump", para o qual os palestinianos não foram consultados, considera Jerusalém "a capital indivisível de Israel" e permite alargar a soberania do Estado hebreu ao vale do Jordão e a outros colonatos na Cisjordânia.

Os palestinianos ficariam com uma autonomia limitada em vários pedaços de território e uma capital nos arredores de Jerusalém, mas apenas se cumprissem condições praticamente impossíveis, segundo a agência norte-americana Associated Press.

Elogiado em Israel, o plano foi recusado pelos palestinianos por o considerarem parcial e desde a sua apresentação têm ocorrido manifestações diariamente nos territórios ocupados.

Na quinta-feira, um atropelamento intencional no centro de Jerusalém causou 14 feridos, incluindo 12 soldados israelitas, e três palestinianos foram mortos por tiros das forças israelitas

Dois palestinianos foram mortos a tiro por soldados israelitas em confrontos em Jenin, na Cisjordânia ocupada, e um outro foi morto na cidade velha de Jerusalém (na zona oriental) depois de ter disparado na direção de forças israelitas, segundo a polícia israelita.

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