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Ban Ki-moon e Paulo Portas discutiram golpe de Estado na Guiné Bissau

Ban Ki-moon e Paulo Portas discutiram golpe de Estado na Guiné Bissau

O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, discutiu este domingo o golpe de Estado na Guiné-Bissau com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, a quem afirmou que pretende "mobilizar pressão política" para encontrar uma solução para a crise.

Na conversa telefónica desta manhã, Portas fez ao secretário geral da ONU um ponto de situação sobre a crise na Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de quinta-feira, já condenado por Ban Ki-moon, Conselho de Segurança da ONU e Departamento de Estado norte-americano.

De acordo com o gabinete do secretário geral da ONU, Ban Ki-moon adiantou que está em contacto permanente com o seu representante em Bissau, Joseph Mutaboba, que o aconselha sobre a situação no terreno.

Ban disse ainda a Portas que vai "continuar a mobilizar pressão política para procurar uma resolução que faça retornar a estabilidade e ordem política à Guiné-Bissau", segundo a mesma fonte.

O golpe foi condenado em larga medida pela comunidade internacional.

Tal como o Departamento de Estado, Conselho de Segurança e secretário geral apelaram aos golpistas em Bissau para restaurarem imediatamente o poder político e libertarem os detidos, permitindo - o primeiro ministro cessante, o presidente interino, entre outros altos responsáveis - a conclusão do processo eleitoral em curso.

Ban Ki-moon condenou "nos mais fortes termos possíveis a tomada inconstitucional do poder pelas Forças Armadas da Guiné-Bissau", e disse estar "extremamente preocupado com a relatada detenção de responsáveis políticos chave".

Na quinta-feira à noite, um grupo de militares guineenses atacou a residência do primeiro-ministro e candidato presidencial, Carlos Gomes Júnior, e ocupou vários pontos estratégicos da capital da Guiné-Bissau.

A ação foi justificada hoje, em comunicado, por um autodenominado Comando Militar, cuja composição se desconhece, como visando defender as Forças Armadas de uma alegada agressão de militares angolanos, que teria sido autorizada pelos chefes do Estado interino e do Governo.

A mulher de Carlos Gomes Júnior disse hoje que ele foi levado por militares na noite do ataque e encontra-se em parte incerta, bem como o Presidente interino, Raimundo Pereira.

Os acontecimentos militares na Guiné-Bissau, que antecederam o início da campanha eleitoral das presidenciais de 29 de abril, mereceram a condenação da União Africana, da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental e de vários países, incluindo Portugal, que exortou os autores do "golpe militar" a libertar os políticos detidos.

A presidência angolana da CPLP admitiu hoje avançar para o Tribunal Penal Internacional contra as autoridades militares guineenses, "em particular" o chefe das Forças Armadas, António Indjai.

Para tal, como para serem decretadas sanções internacionais individuais contra líderes golpistas ou envio de uma força de paz sob alçada das Nações Unidas, seria necessária uma resolução do Conselho de Segurança.

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