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Comunidade de Sant'Egidio espera que ainda "haja espaço para retomar diálogo" em Moçambique

Comunidade de Sant'Egidio espera que ainda "haja espaço para retomar diálogo" em Moçambique

A representante da Comunidade de Sant'Egidio para Moçambique, Carla Turrini, afirmou esta terça-feira esperar que "ainda haja espaço para retomar o diálogo" entre a Frelimo e a Renamo, porque "ninguém quer a guerra" no país.

Em declarações à Lusa, a partir de Roma, Carla Turrini disse "estar muito preocupada com os acontecimentos destes últimos dias" em Moçambique, que atravessa a pior crise política e militar desde a assinatura do Acordo Geral de Paz, em 1992, entre a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo, no poder) e a Resistência Nacional Moçambicana (Renamo, na oposição), que a comunidade de Sant'Egidio mediou.

"Apesar disso, penso, espero e confio que ainda haja um espaço para o diálogo, para que as partes se sentem e falem para encontrar uma solução para o bem do país", sublinhou.

"Penso que ninguém quer a guerra, quer a violência em Moçambique, penso que o povo gostou destes 20 anos de paz", acrescentou.

Na segunda-feira, o exército moçambicano desalojou o líder da Renamo, Afonso Dhlakama, da base onde se encontrava aquartelado há mais de um ano, no centro do país.

Afonso Dhlakama e o secretário-geral da Renamo, Manuel Bissopo, fugiram para local incerto, enquanto as forças de defesa e segurança moçambicanas mantém a ocupação da residência do líder do movimento, em Sandjunjira, na província de Sofala.

Sobre as declarações da Renamo, segundo as quais o ataque do exército "enterrou o acordo de paz de 1992", Carla Turrini considerou ser possível "ressuscitar, pelo menos, a vontade e o espírito daquele acordo".

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Na segunda-feira, o porta-voz da Renamo, Fernando Mazanga, disse que "a atitude irresponsável do comandante em chefe das Forças Armadas pôs termo ao acordo de paz de Roma", assinado em 1992, numa referência ao Presidente de Moçambique, Armando Guebuza.

As duas partes devem "encontrar uma forma de dialogar para alcançar uma solução porque todos perdem com a guerra", sublinhou a representante da Comunidade de Sant'Egidio, que mediou as negociações e a assinatura do acordo a 04 de outubro de 1992.

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