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Mais de uma centena de internados trocam hospital angolano por curandeiros

Mais de uma centena de internados trocam hospital angolano por curandeiros

Mais de uma centena de doentes internados num hospital da província angolana do Cuanza Sul deixaram voluntariamente aqueles serviços no primeiro semestre do ano, optando por curandeiros, situação que está a preocupar as autoridades locais.

A situação foi relatada esta quarta-feira à comunicação social pelo diretor do hospital municipal de Quibala, na província de Cuanza Sul, na região litoral centro de Angola. De acordo com Segunda Martins, nos primeiros seis meses do ano o hospital já contabilizou 107 doentes que deixaram a unidade.

"A fuga de doentes prende-se com a crença de que os curandeiros podem restaurar a saúde das pessoas e afastar os espíritos maus, causadores da doença", explicou o médico Segunda Martins, citado pela agência de notícias angolana Angop.

A situação está a motivar a "preocupação" dos clínicos, por estar a aumentar, levando mais tarde ao regresso de doentes ao hospital, mas já em estado crítico.

Estes profissionais começaram a realizar ações de sensibilização junto da população e dos doentes, alertando para as consequências da troca do tratamento médico pelos chamados "kimbandeiros".

Nesta unidade, segundo o diretor, foram internados entre janeiro e junho deste ano 1.741 doentes, dos quais 43 acabaram por falecer vítimas de malária, problemas respiratórios ou diarreias agudas, mas também devido a acidentes de viação.

Quase 10 por cento destes optaram por abandonar o tratamento médico e recorrer às práticas tradicionais dos "kimbandeiros".