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Quatro mortos em ataque a coluna de viaturas no centro de Moçambique

Quatro mortos em ataque a coluna de viaturas no centro de Moçambique

Dois militares e dois civis morreram, sexta-feira, num ataque a uma coluna de viaturas escoltadas pelo Exército moçambicano, em Mutinda, a 22 quilómetros de Muxúnguè, Sofala, no centro do país.

No ataque, atribuído a homens armados da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal partido da oposição em Moçambique, ficaram feridos dois civis, um dos quais com gravidade, que seguiam viagem num autocarro da empresa Nagi Investimente, também atingido por balas.

"Os militares morreram em combate quando repeliam o ataque da Renamo, enquanto os civis atingidos se encontravam na viatura de transporte semicolectivo de passageiros Nagi Investimente", declarou à Lusa um militar que integrava a coluna.

Citado este sábado pela imprensa moçambicana, Daniel Macuacua, porta-voz da Polícia de Sofala, adianta a morte de um civil durante o ataque e de outro já a caminho do hospital, após ter sido ferido com gravidade.

Hoje, as duas colunas diárias habituais, feitas no sentido Centro-Sul e vice-versa, voltaram a ser travadas com tiros na região de Zove, no troço de cem quilómetros entre Muxúnguè e Save na N1, a estrada que liga o Sul e o Centro do país e onde desde há um ano, quando eclodiram os primeiros confrontos, as escoltas do Exército são obrigatórias.

Ainda são escassas as informações sobre vítimas dos ataques de hoje.

"O ataque da manhã de sábado foi forte e um outro mais ligeiro registou-se no período da tarde na mesma região", informou José Luís, pároco de Muxúnguè, que observa com apreensão a escalada das emboscadas.

António Muchanga, porta-voz da Renamo, disse que, "por o país estar em conflito, vários confrontos serão registados", mas negou que o braço militar do partido esteja a atacar civis, responsabilizando o Exército moçambicano, que acusa de ter "fins políticos".

Desde 2 de junho, os confrontos intensificaram-se no troço Save-Muxúnguè, quando a Renamo suspendeu o cessar-fogo unilateral, em protesto contra o avanço do Exército na serra da Gorongosa, onde se supõe que esteja refugiado o líder da oposição, Afonso Dhlakama.

Este é o pior período de conflitos em Moçambique desde a assinatura do Acordo Geral de Paz, em Roma, em 1992.