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Moçambique: 51 mortos em naufrágio de barco que transportava ilegais

Moçambique: 51 mortos em naufrágio de barco que transportava ilegais

Cinquenta imigrantes ilegais somalis morreram ao largo da Ilha Suhavo, província de Cabo Delgado, norte, na sequência do naufrágio do barco onde seguiam com mais 79 passageiros ilegais, anunciou terça-feira o Comando Geral da Polícia de Moçambique.

O naufrágio da embarcação tanzaniana, proveniente da Somália, aconteceu na madrugada do passado dia 05, quando transportava 129 passageiros ilegais, dos quais 89 somalis e 40 etíopes, informou hoje o porta-voz do Comando Geral, Pedro Cossa, em conferência de imprensa.

Segundo Pedro Cossa, "registaram-se 51 mortes: 50 somalis e o capitão do barco", sendo que os sobreviventes foram encaminhados para o Centro de Refugiados de Maratane, em Nampula, norte.

Ainda na Ilha Suhavo, as autoridades repatriaram na sexta-feira 123 imigrantes ilegais somalis, que "tinham desembarcado naquele local, perto das 23 horas do dia 10", transportados por "um barco moçambicano, tripulado por moçambicanos, proveniente da Tanzânia", acrescentou o porta-voz.

Em Moçambique, nas últimas semanas, tem aumentado o número de casos de imigração clandestina, com a cooperação de cidadãos nacionais e estrangeiros.

Há pouco mais de uma semana, por exemplo, o Comando das Alfândegas em Boane, província de Maputo, sul, acolheu cerca de 400 estrangeiros ilegais, maioritariamente asiáticos, deportados da África do Sul para Moçambique, por alegadamente terem usado as fronteiras nacionais para entrar naquele país.

Desde então, indicou Pedro Cossa, a polícia deteve quatro cidadãos bengalis por tentativa de suborno a agentes da autoridade, com dois mil dólares (1.477 euros), 25.420 mil rands (2.575 euros) e 3720 meticais (87,6 euros).

Outros três cidadãos bengalis foram "neutralizados e reencaminhados ao centro", de onde tentavam fugir, prosseguiu.

Em ambos os casos, os estrangeiros fazem parte do grupo deportado da África do Sul e continuam detidos no centro de Boane.

De acordo com Pedro Cossa, o processo de repatriamento ainda não começou, na medida em que continuam as averiguações para provar as nacionalidades declaradas pelos imigrantes.

Também um motorista dos Transportes Públicos de Maputo está detido, indiciado pelo crime de falsa qualidade, ao tentar fazer-se passar por agente da polícia.

"Entrou no recinto de Boane e estabeleceu contacto com alguns imigrantes, permitindo a comunicação destes com algumas pessoas fora daquele espaço", explicou o porta-voz do Comando Geral.

Só na semana de 05 a 11 de Fevereiro, "foram reencaminhados para o centro de Maratane 210 estrangeiros, sendo 123 somalis e 87 etíopes, interceptados nos distritos de Murrupula e Nacarôa, Nampula, a caminho da província de Sofala", disse ainda Pedro Cossa.

No total, concluiu, foram detidos 1.012 pessoas, entre os quais 739 por passarem ilegalmente a fronteira, 86 imigrantes clandestinos oriundos de fora da região de Moçambique e 234 cidadãos nacionais repatriados da África do Sul.