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O primeiro vídeo de um rapto em Moçambique

O primeiro vídeo de um rapto em Moçambique

Um vídeo divulgado pelo jornal moçambicano "@verdade" mostra imagens de um rapto em Maputo e revela que a portuguesa raptada esta terça-feira foi arrastada pelos cabelos para fora da empresa onde estava a trabalhar.

O vídeo colocado no Youtube mostra o momento em que um empresário muçulmano é levado, no dia 26 de outubro, por um grupo de homens. As imagens são das câmaras de videovigilância de uma loja de material elétrico.

O mesmo jornal refere-se também ao rapto da portuguesa, esta terça-feira, nos arredores de Maputo, e revela que a mulher não tem familiares em Moçambique. "Foi raptada nas primeiras horas do dia, no interior da empresa onde trabalha. Os raptores entraram nas instalações, intimidaram os colegas da vítimas e saíram com a vítima arrastada pelos cabelos até à viatura dos malfeitores, que desapareceu", escreve "@averdade".

Devido à onda de raptos, vários membros da comunidade indiana e até moçambicanos estão a deixar o país. Foi o caso de R. Rafik, de 36 anos, raptada no dia 24 de outubro quando chegava ao local de trabalho, no bairro do Malanga, em Maputo. A mulher conseguiu fugir do cativeiro quatro dias depois. O JN apurou que quando foi à esquadra apresentar queixa, R. Rafik reconheceu dois dos seus raptores. Entretanto, por razões de segurança, decidiu abandonar o país.

Esta quarta-feira, segundo o "Jornal de Notícias" de Moçambique, a Polícia anunciou ter detido mais dois homens, de 24 e 28 anos, implicados no seu rapto. Na semana passada, 10 pessoas - incluindo três agentes da Polícia - foram condenadas a penas de prisão pelo crime de sequestro. Tal como R. Rafik, outros moçambicanos e indianos estão a mudar-se para os países vizinhos, embora mantendo os negócios em Moçambique, contou, ao JN, um português ali radicado há cerca de quatro anos.

De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, na sequência do rapto de três cidadãos nacionais, o embaixador de Moçambique em Lisboa esteve reunido, na terça-feira, com representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros português. "As autoridades moçambicanas estão muito disponíveis e colaborantes para acompanhar estas situações", sublinhou, ao JN, José Cesário.

O governante escusou-se a adiantar pormenores sobre os portugueses que estão ainda nas mãos dos raptores, por se tratar de uma "situação muito delicada". Contudo, segundo a RTP1, os sequestradores já pediram o resgate no caso da portuguesa raptada na Matola. O montante é desconhecido, mas as negociações entre sequestradores e familiares da gestora financeira de 40 anos já foram iniciadas.

A notícia do rapto dos três portugueses fez disparar as idas ao consulado de Portugal. Foi o caso de Paulo Dias. "Devido às notícias que temos estado a ouvir, a situação parece estar mais instável e provoca um pouco mais de receio. Não tenho medo de aqui estar, mas é uma precaução", disse à agência Lusa.

Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros, estão inscritos cerca de 32 mil portugueses nos consulados de Maputo e da Beira, dos quais 10 mil são expatriados. Fruto do clima de insegurança que se vive, há portugueses a enviar a família para Portugal ou para países à volta. Em declarações à Lusa, a diretora da Escola Portuguesa de Moçambique, Dina Trigo de Meira, referiu que cerca de 40 alunos abandonaram aquele estabelecimento de ensino desde setembro.

Um empresário português radicado em Moçambique há cerca de dois anos e meio disse, ao JN, que na Escola Americana Internacional de Moçambique o número de saídas foi muito superior. Apesar de ter filhos, este empresário não tenciona tirá--los do país. "Tenho muita pena que isto se esteja a passar. À exceção desta situação, Moçambique é um país muito seguro", garante.

O português admite que a onda de raptos "descambou" nas últimas duas semanas e que a notícia do rapto de três portugueses, na terça-feira, o levou a alterar as suas rotinas no mesmo dia.

Desde a morte de um adolescente de 13 anos, há uma semana, na Beira, pelos seus raptores, "existe um sentimento de que não há uma entidade que nos proteja", afirmou.

*com Manuel Molinos

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