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Pandemia acentua desigualdades entre homens e mulheres no trabalho doméstico

Pandemia acentua desigualdades entre homens e mulheres no trabalho doméstico

O impacto da covid-19 na realização das tarefas domésticas fez-se sentir principalmente nas mulheres, aponta relatório das Nações Unidas. Tarefas como cozinhar, limpar e ir às compras tomam hoje mais tempo e são elas que lhes dedicam. Passam ainda 31 horas semanais a cuidar das crianças.

O recente relatório da Agência das Nações Unidas para a Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres, também conhecida como ONU Mulheres, baseia-se em dados relativos a 38 países, revelando que, de modo geral, o volume das tarefas domésticas intensificou-se. Afazeres como, cozinhar, limpar e ir às compras ganharam um novo peso e estão a ser reconhecidos como uma forma essencial de trabalho. "60% das mulheres afirmaram que o tempo que dedicam ao trabalho doméstico aumentou muito, desde a pandemia", concluiu a agência.

Mesmo antes do início da pandemia, já era estimado que as mulheres realizassem três quartos das 16 mil milhões de horas de trabalho não remunerado que são feitas em todo o mundo. Mas o número agora é ainda mais elevado, "se antes da pandemia as mulheres faziam mais do triplo do trabalho do que os homens, asseguro-vos que o número pelo menos duplicou", garantiu Anita Bhatia, diretora-executiva adjunta das Mulheres da ONU, à BBC News

Uma das razões para este aumento pode justificar-se pelo facto de 33% dos inquiridos terem dispensado os seus empregados de limpeza, aponta o relatório. Um fator positivo é que, durante o período pandémico, os filhos tornaram-se mais ativos e passaram a ajudar, apesar de as meninas (64%) terem acabado por ajudar mais do que os rapazes (57%). Contando com educação, alimentação e tempo de lazer, as mulheres dedicavam, em média, 26 horas por semana a cuidar das crianças, sendo que, com a pandemia, o tempo aumentou para 31 horas por semana, o que equivale ao tempo de um emprego remunerado a tempo inteiro. Para além disso, 20% das mulheres ainda ajudam a cuidar dos seus familiares mais idosos, considerados pessoas de risco.

Com a chegada do novo coronavírus, a taxa de desemprego aumentou bastante, principalmente nas mulheres com mais de 25 anos: subiu de 5,5 para 7,7%. As oportunidades de emprego e educação podem tornar-se escassas para as mulheres, podendo afetar a saúde física e mental das mesmas. "Tudo aquilo por que trabalhámos, que demorou 25 anos, pode-se perder num ano", disse Anita, temendo que os cuidados domésticos e da família voltem a espelhar-se "nos estereótipos de género dos anos 50", afirma.

O relatório concluiu, assim, que "as mulheres ainda estão a fazer a maior parte do trabalho doméstico", alertando que isso pode levantar problemas relacionados com a sua independência financeira.

Como forma de apoio, a ONU Mulheres defende que os governos deveriam apoiar e valorizar mais as tarefas domésticas e começar a remunerar os prestadores de cuidados, que são na maioria mulheres. O próximo passo seria "adotar políticas que apoiassem o acesso a serviços de acolhimento de crianças; prolongar as licenças pagas à família e por doença; introduzir modalidades de trabalho flexíveis e programas que compensem os pais durante o encerramento das escolas ou centros de dia".

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