China

Pandemia volta a cancelar Ano Novo Lunar para milhões

Pandemia volta a cancelar Ano Novo Lunar para milhões

A covid-19 leva Governo chinês a pedir à população que não viaje e, em troca, oferece prémios e vales de desconto. Em Portugal também não serão organizadas celebrações, apenas momentos digitais.

A tradição é fazer-se dezenas, centenas ou milhares de quilómetros para regressar a casa e celebrar o Ano Novo Lunar com a família. Mas o novo coronavírus continua a marcar a agenda também na China, onde, em dezembro de 2019, foi registado o primeiro caso de infeção e, por isso mesmo, 2021, o ano do Boi, será recebido com muitas restrições, principalmente no que toca a circular entre regiões.

Em tempos normais, viajariam pelo país cerca de 300 milhões de pessoas, sendo o Ano Novo chinês a causa da maior migração anual no Mundo. Para muitos, esta é a única altura do ano em que podem voltar às raízes para visitar a família.

As restrições afetam também quem está em Portugal que volta a não poder viajar para a China. Outros optaram apenas por ficar por cá já que esta é uma época de "convívio e que serve para festejar o renascimento de uma nova vida" diz ao JN, Y Ping Chow, dirigente da Liga dos Chineses em Portugal.

"Sentimos muito a falta do momento porque é para muitos de nós a única altura do ano em que podemos ver pessoas amigas e familiares, lamenta Y Ping Chow. Para marcar a data fez-se apenas um pequeno evento online, esclareceu o dirigente, acrescentando que não fazia sentido celebrar no digital uma festa que tem como elemento principal as pessoas.

Em janeiro de 2020, ano em que se celebrou o Rato e altura em que a covid-19 se multiplicava por várias regiões, a China parecia cenário de um filme pós-apocalíptico, com as cidades, incluindo Pequim, capital do país, desertas e em silêncio.

E, pelo segundo ano consecutivo, o também conhecido como Festival da Primavera não será celebrado com pessoas nas ruas, feiras, bancas de comida e folia. O Governo apelou à população para que não viajasse para as terras-natais, muitas delas em áreas rurais, e impôs medidas de controlo da covid-19 para aqueles que insistirem em viajar.

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Assim, para sair das grandes cidades e regressar a casa, é necessário um teste com resultado negativo, pago do próprio bolso, e pelo menos duas semanas de quarentena obrigatória. Ao invés de implementar confinamento a nível nacional, para travar as deslocações e acalmar os ânimos acesos com as novas restrições, o Executivo promoveu também a oferta de cestas com alimentos, vales para atividades lúdicas e descontos em várias lojas.

Pequena esmola

Em regiões onde voltou a ser imposto o confinamento obrigatório após o ressurgimento de surtos de covid-19, a circulação está proibida. Já em cidades onde as medidas de controlo foram aliviadas, os governos locais optaram por oferecer um prémio de cerca de 130 euros para os migrantes que decidirem não viajar, relata o canal televisivo inglês BBC.

Além disso, as autoridades incentivaram empresas a oferecer subsídios aos trabalhadores e a organizar passeios culturais de curta duração.
Uma pequena esmola que chega num momento em que muitos trabalhadores rurais se debatem com cortes salariais e reduções de horário em consequência da crise económica.

Mesmo assim, estima-se que haja cerca de 1,7 mil milhões de viagens dentro do país para assistir às celebrações do Ano do Boi, na grande maioria, para cidades maiores.

A sorte parece apenas existir para os nascidos no ano do Boi, que, diz o zodíaco, são pessoas pacientes e cautelosas. Virtudes no combate à pandemia.

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