Demência

"Panoramix": o videojogo que revela sinais ocultos de Alzheimer

"Panoramix": o videojogo que revela sinais ocultos de Alzheimer

Uma aplicação desenvolvida por investigadores galegos consegue detetar sinais ocultos de deficiência cognitiva no cérebro, permitindo um diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.

Em apenas 40 minutos, o jogo de vídeo "Panoramix" consegue detetar os primeiros sinais ocultos de deterioração cognitiva que existem na doença de Alzheimer "muito antes de os sintomas aparecerem", explica Luis Anido, professor de Telecomunicações da Universidade de Vigo, citado pelo "El País".

O projeto está em desenvolvimento há sete anos no centro tecnológico de telecomunicações da Universidade de Vigo (atlanTTic) e, segundo os seus designers, abre um mundo de possibilidades para combater a demência e a doença de Alzheimer. Como prova do seu potencial, foi uma das 11 candidaturas selecionadas (entre 114 propostas de 23 países) para integrar a plataforma Gatekeeper, um consórcio internacional com 21,3 milhões de euros de financiamento da Comissão Europeia, que visa oferecer ferramentas tecnológicas para melhorar a vida das pessoas idosas.

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"Panoramix" é uma aplicação móvel com sete jogos que testam diferentes partes da memória: Episodix, para memória episódica; Attentix, para atenção; Executix, para a função executiva; Workix, para memória de trabalho; Semantix, para memória semântica; Procedurix, para memória processual; e Gnosix, para a capacidade de reconhecer visualmente diferentes estímulos e atribuir-lhes um significado.

Respondendo aos desafios que são solicitados, o utilizador está ao mesmo tempo a dar pistas sobre a saúde do seu cérebro, revelando se "é saudável, se tem uma ligeira deficiência cognitiva, que é o início da demência, ou se já tem demência".

No futuro, poderia estar nas salas de espera dos centros de saúde, hospitais ou nos centros de dia. O professor Luis Anido sublinha que se trata de "um sistema de rastreio" e que, quando surgirem "sinais de aviso devem então ser verificados por um médico especialista".

O centro de investigação atlanTTic está em negociações com as autoridades da Galiza para testar o "Panoramix" nos centros de saúde públicos galegos.

A brincar, a brincar...

Mais de 150 pessoas já testaram os jogos, permitindo aos investigadores detetar vários casos ocultos de deficiência cognitiva.

No último ano, 40 pacientes da Associação de Familiares e Doentes de Alzheimer e outras Demências da Galiza (Afaga) tiveram acesso à aplicação e o chefe de projetos da instituição, Iván Rarís, elogia a metodologia: "esta ferramenta quebra a barreira dos testes formais, que geram stress e podem mesmo dar resultados errados se uma pessoa for constantemente sujeita a eles".

"Eles adoram brincar. Quebram a sua rotina e gostam dela. A associação observou que os pacientes chegam ao Panoramix com mais vontade", sublinha.

Após o diagnóstico, Iván Rarís considera que o "Panoramix" pode continuar a ser útil no âmbito das patologias da demência, uma vez que estas doenças evoluem e requerem muitos ajustamentos na medicação. "As famílias não podem dar-se ao luxo de esperar pelo circuito clássico [ir ao médico de família e depois esperar por uma consulta com o especialista] e esta aplicação já marca a evolução da patologia", afirma, em declarações ao "El País".

"Panoramix" recorre a tecnologia de inteligência artificial que analisa grandes quantidades de dados e identifica padrões e tem por base "elementos convencionais de avaliação neurológica", esclarece o professor da atlanTTic, Luis Anido, destacando a colaboração de especialistas em psicologia da Universidade de Santiago de Compostela e médicos do Hospital Álvaro Cunqueiro de Vigo. O ponto de partida para o desenvolvimento desde projeto de deteção precoce de Alzheimer esteve na tese de doutoramento da engenheira de telecomunicações Sonia Valladares. "Ainda não há cura, mas a deteção precoce da doença de Alzheimer pode retardar o processo de agravamento", defendeu, em 2019.

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