Igreja

Papa restringe atividades aos católicos tradicionalistas

Papa restringe atividades aos católicos tradicionalistas

O Papa Francisco publicou, esta sexta-feira, um decreto (Motu Proprio) em que limita a celebração de missas "Rito Tridentino" ou "Rito Antigo" e dá poderes aos bispos para autorizar ou proibir as atividades dos católicos tradicionalistas.

Numa carta dirigida aos bispos de todo o mundo, Francisco explica que, apesar de bem-intencionadas, as iniciativas tomadas pelos seus antecessores e que permitiram a continuação das Missas Tridentinas (celebradas em latim e de costas para os participantes na celebração) acabaram por ser "instrumentalizadas".

Na prática, os grupos que já existem e que celebram o rito antigo podem continuar a fazê-lo mediante a autorização dos bispos, que devem ceder igrejas para o efeito desde que as igrejas não sejam paroquiais. O Papa pede ainda aos bispos que não permitam a criação de novos grupos para além dos que já existem.

Está decretado ainda que os padres agora ordenados passam a precisar de autorização do bispo (concedida apenas após consulta à Santa Sé) para poderem celebrar a missa segundo o rito antigo e que os padres que já o fazem devem solicitar autorização para continuar a fazê-lo.

Em Portugal, onde cerca de mil pessoas seguem o rito antigo, os organismos que defendem a missa tradicional ainda não se manifestaram. Eduardo Almeida, um dos líderes do movimento tradicionalista português, disse ao JN que "todas as normas e disposições emanadas hoje, são nulas, ignominiosas e dignas de resistência". "A Bula do Papa Pio V diz que a missa não pode mais ser alterada", afirmou. Sobre a necessidade de autorização dos bispos, Eduardo Almeida afirma que "os tradicionalistas não obedecem aos bispos porque obedecem à tradição da Igreja" organizada no Missal de Pio V.

"Infelizmente, a intenção pastoral dos meus antecessores, que pretendiam "envidar todos os esforços para que aqueles que verdadeiramente desejam a unidade possam permanecer nesta unidade ou redescobri-la", muitas vezes foi seriamente negligenciada. Em causa estão medidas tomadas por São João Paulo II por Bento XVI destinadas a "recompor a unidade do corpo eclesial no que diz respeito às várias sensibilidades litúrgicas" e que, em vez da união, terá sido utilizada para aumentar as diferenças entre os cristãos, possibilitando "risco de divisões."

PUB

A reforma da liturgia foi decidida durante o Concilio Vaticano II mas a missa tradicional continuou a ser celebrada por pequenos grupos durante os anos depois do concílio e foi liberalizada, primeiro, por João Paulo II e mais tarde, em maior escala, por Bento XVI, para grupos de pessoas que se sentissem particularmente ligadas às tradições antigas e à liturgia anterior ao concílio. Tudo para evitar cisões e fomentar a comunhão na Igreja com grupos tradicionalistas.

Com o número de tradicionalistas a aumentar em todo o mundo, com destaque para a América Latina e os Estados Unidos, o Papa diz que está "triste por um uso instrumental do Missale Romanum de 1962, cada vez mais caracterizado por uma rejeição crescente não só da reforma litúrgica, mas do Concílio Vaticano II, com a afirmação infundada e insustentável de que traiu a Tradição e a "verdadeira Igreja". O novo documento do Vaticano estabelece que o rito saído da reforma litúrgica promovida pelo Vaticano II é a "expressão única" e dá aos bispos locais a autoridade plena para regular o seu uso nas suas dioceses. "É para defender a unidade do Corpo de Cristo que sou obrigado a revogar a faculdade concedida pelos meus antecessores. O uso distorcido que deles se faz é contrário aos motivos que os levaram a conceder a liberdade de celebrar a Missa com o Missale Romanum de 1962", refere o documento.

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG