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Bielorrússia

"Parem de ter medo". Atleta dissidente pede coragem aos bielorrussos

"Parem de ter medo". Atleta dissidente pede coragem aos bielorrussos

A velocista bielorrussa cuja deserção durante os Jogos Olímpicos correu o mundo pediu aos seus concidadãos, esta segunda-feira, que sigam o seu exemplo e se manifestem contra o regime.

Numa entrevista à AFP no primeiro aniversário de uma disputada eleição presidencial na Bielorrússia, Krystsina Tsimanouskaya disse que o país "já não é um país seguro para os seus próprios cidadãos".

"As pessoas têm medo de ir a qualquer protesto porque têm medo de serem espancadas, têm medo de acabar na prisão", disse a jovem de 24 anos, que está agora na Varsóvia. "Gostaria que o meu país fosse livre, gostaria que todos os cidadãos tivessem direito à liberdade de expressão, que todos pudessem viver uma vida normal e parassem de ter medo", afirmou.

A Bielorrússia tem sido abalada por protestos em massa sem precedentes contra o regime de Alexander Lukashenko desde que reivindicou a vitória nas eleições de 9 de agosto, que a oposição diz ter sido fraudada a seu favor.

Regressar à Bielorrússia "livre"

Tsimanouskaya, que parecia composta mas tensa durante a entrevista, disse que um dia gostaria de regressar à Bielorrússia para a sua família, mas "apenas quando for seguro e livre".

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Questionada se isso significava que Lukashenko não deveria estar no poder, a atleta respondeu: "Provavelmente só pode ser livre sem ele".

A bielorrussa desentendeu-se com os seus treinadores durante os Jogos Olímpicos e acusou-os de tentar trazê-la de volta à força para casa em 1 de agosto. A atleta pediu ajuda à polícia japonesa e obteve um visto humanitário da Polónia, que lhe concedeu asilo na sua embaixada em Tóquio e a levou para Varsóvia sob proteção diplomática.

Tsimanouskaya afrimou que o que a persuadiu a entrar em contacto com a polícia foi um a chamada telefónica da sua avó, que vive na Bielorrússia, quando ela estava a caminho do aeroporto de Tóquio. "Ela ligou-me e disse que eu não deveria voltar para a Bielorrússia e que deveria fazer tudo o que pudesse para não voltar", contou. A atleta disse ainda que temia que, se voltasse, acabasse "numa clínica psiquiátrica ou na prisão".

Dois treinadores bielorrussos foram privados das suas acreditações pelo Comité Olímpico Internacional, que está a conduzir uma investigação mais ampla sobre o incidente.

"A olhar para os próximos Jogos Olímpicos"

Tsimanouskaya disse que não se arrepende do que fez: "Não me arrependo de mostrar a verdade ao mundo". "Talvez todos estes anos de desporto me tenham fortalecido... Não vou permitir que ninguém me desrespeite", garantiu.

A jovem disse acreditar que há outras pessoas na mesma situação e pediu que "reunissem coragem suficiente" para deixar a Bielorrússia.

A atleta leiloou, por 17 mil euros, a medalha de prata que ganhou nos Jogos Europeus de Minsk em 2019 no eBay para angariar fundos para a Belarusian Sport Solidarity Foundation (BSSF) conseguir ajudar outros atletas. Segundo a fundação, há sete atletas detidos na Bielorrússia como presos políticos e 36 atletas e treinadores profissionais que foram demitidos das seleções por manifestarem opiniões anti-governamentais.

Questionada sobre o seu futuro no desporto, Tsimanouskaya disse que nada era certo, mas as autoridades polacas estão a ajudá-la e ela espera poder concorrer a outra seleção nacional. "Estou a olhar para os próximos Jogos Olímpicos. Gostaria de participar."

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