Direitos humanos

Parlamento Europeu quer que homicídio da jornalista de Malta seja discutido em cimeira

Parlamento Europeu quer que homicídio da jornalista de Malta seja discutido em cimeira

O Parlamento Europeu pediu esta quinta-feira aos líderes da União Europeia que discutam no Conselho Europeu a situação em Malta, onde foram reveladas ligações de colaboradores do primeiro-ministro, Joseph Muscat, ao homicídio da jornalista Daphne Caruana Galizia.

O presidente do PE, David Sassoli, enviou uma carta ao presidente do Conselho Europeu, que se reúne esta quinta-feira e sexta-feira em Bruxelas, pedindo que os chefes de Estado e de Governo dos 27 abordarem "logo que seja possível" os últimos desenvolvimentos em Malta, visitada na semana passada por uma missão da assembleia europeia.

Sassoli afirma na carta que a missão do PE, que se reuniu com políticos, responsáveis policiais e judiciais e membros da sociedade civil, encontrou uma situação que exige "ação urgente" e detetou "sérias deficiências e ameaças ao Estado de Direito".

Tais deficiências, escreve, "estão diretamente relacionadas com a integridade da investigação ao assassínio [da jornalista] e a possível interferência política no mesmo".

Keith Schembri, chefe de gabinete e amigo do de Joseph Muscat, foi acusado de ser o mandante do crime, o que suscitou uma grave crise política no país.

A carta de Sassoli cita o presidente da comissão de Liberdades Civis do PE, Juan Fernando López Aguilar, e a chefe do grupo de monitorização da Democracia e Estado de Direito da assembleia europeia, Sophie In't Veld, que apelam aos Estados-membros para "tomarem posição" sobre o assunto.

"Malta é parte da UE e as instituições europeias têm a responsabilidade de assegurar que os valores europeus são cumpridos em todo o território", frisam.

Joseph Muscat, do Partido Trabalhista (PL, centro-esquerda), deve participar na cimeira europeia, uma vez que, embora tenha anunciado a sua demissão do cargo, esta só é efetiva a partir de 12 de janeiro.

Algumas dezenas de manifestantes juntaram-se esta quinta-feira frente à representação de Malta junto da UE para exigir a demissão de Muscat.

Manfred Weber, líder parlamentar do maior grupo político europeu, o Partido Popular Europeu (PPE, centro-direita), afirmou aos jornalistas, à chegada à reunião do PPE prévia ao Conselho Europeu, que Joseph Muscat deve demitir-se imediatamente.

"Para nós, é um enorme escândalo que o primeiro-ministro continue no cargo, sabendo que há óbvias ligações políticas à jornalista assassinada em Malta e sabendo, por outro lado, que o primeiro continua em funções", disse Weber.

"Apoiamos a manifestação [em Bruxelas] e penso que o primeiro-ministro deve demitir-se imediatamente", acrescentou.

Daphne Caruana Galizia, que investigava casos de corrupção na elite política e empresarial do país, foi morta a 16 de outubro de 2017 com um engenho explosivo colocado no seu automóvel em Bidnija, onde vivia.