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Parlamento volta a falhar eleição do novo presidente de Itália

Parlamento volta a falhar eleição do novo presidente de Itália

O parlamento italiano concluiu, esta quinta-feira, a quarta votação para eleger o próximo presidente da República sem um vencedor.

Determinados a afastar da corrida presidencial o primeiro-ministro Mario Draghi, porque, apesar de ser a figura mais consensual, a sua eleição poderia provocar a queda do Governo de coligação, os partidos políticos italianos não chegaram ainda a um acordo sobre uma candidatura alternativa.

Esta quarta volta do escrutínio, que decorre desde o início da semana na Câmara dos Deputados, em Roma, não serviu, portanto, para nada: os grandes eleitores da direita abstiveram-se e os da esquerda votaram em branco.

Os italianos esperavam um resultado, já que, a partir da quarta votação, a maioria absoluta (metade dos votos mais um) passou a ser suficiente para escolher o novo chefe de Estado, em vez da maioria de dois terços necessária nas três primeiras voltas.

A próxima votação realizar-se-á na sexta-feira.

As funções de presidente em Itália são prestigiadas mas sobretudo protocolares, e a principal questão desta eleição prende-se com as hipóteses de Mario Draghi, que, sem se ter declarado como candidato - até porque, tradicionalmente, se trata de uma eleição sem candidaturas oficiais -, deu a entender que aceitaria o cargo se tivesse o apoio da maioria dos grandes eleitores.

É favorito mas ninguém o quer na Presidência

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O ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), que assumiu a chefia do Governo em fevereiro de 2021, foi durante muito tempo o favorito para o cargo, mas os partidos estão preocupados com a ideia de ele abandonar as suas funções e muitos temem a convocação de legislativas antecipadas, quando a legislatura só termina em 2023.

Nenhuma formação política tem atualmente maioria absoluta no parlamento, mas todos os partidos, exceto a Itália Viva, de Matteo Renzi, e o partido da extrema-direita Irmãos de Itália, participam na coligação liderada por Draghi.

A escolha do atual primeiro-ministro poderia, ao desencadear eleições legislativas antecipadas, fazer "descarrilar" as reformas necessárias à obtenção dos milhares de milhões de euros prometidos a Itália no âmbito do fundo de recuperação da União Europeia (UE).

Itália, a terceira maior economia da UE, é o maior beneficiário europeu desse programa, estando previsto receber quase 200 mil milhões de euros, desde que cumpra os requisitos de reformas em diversas áreas.

O nacionalista Matteo Salvini, líder da Liga, insistiu que Draghi é "valioso onde se encontra atualmente".

Voto secreto

A escolha do presidente da República de Itália é notoriamente difícil de prever: a história prova que esta eleição semelhante a um conclave, sem candidatos oficiais e com boletins de voto secreto é propícia a reviravoltas de última hora.

Entre os últimos nomes colocados em cima da mesa, estão o do ex-presidente da Câmara dos Deputados Pier Ferdinando Casini e o da atual presidente do Senado, Elisabetta Casellati, que seria a primeira mulher Presidente italiana.

O chefe de Estado é eleito para um mandato de sete anos por sufrágio indireto por uma assembleia composta pelos membros das duas câmaras do parlamento (629 deputados + 321 senadores), aos quais se somam 58 representantes regionais, perfazendo um total de 1.008 "grandes eleitores".

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