Discussão

Partido de extrema-direita espanhol boicota homenagem contra violência de género

Partido de extrema-direita espanhol boicota homenagem contra violência de género

O partido de extrema-direita espanhol, Vox, boicotou o minuto de silêncio organizado, esta quinta-feira, para homenagear a última vítima de violência doméstica em Madrid. Adaliz Villagra foi assassinada à frente das duas filhas.

O crime de violência de género tem lançado o debate sobre proteção das vítimas na comunidade e no panorama político em Espanha. Esta quinta-feira, as diferenças partidárias notaram-se no minuto de silêncio organizado em memória de Adaliz Villagra, de 31 anos, morta à frente das duas filhas pelo ex-companheiro, na terça-feira à tarde.

Alguns minutos antes da homenagem, Javier Ortega Smith, porta-voz do partido Vox, apareceu com um cartaz que dizia: "Violência não tem género". Os restantes grupos políticos reuniram-se às 12 horas em frente ao Palácio de Cibeles, em Madrid, esta quinta-feira. Com exceção do partido de extrema-direita Vox, que já tinha anunciado que não participaria.

A atitude não foi bem aceite por José Luis Martínez-Almeida, presidente da câmara de Madrid, que confrontou Javier Ortega Smith. "É uma realidade incontestável que 20% das mortes violentas em Madrid correspondem ao assassinato de mulheres", disse Martínez-Almeida.

Por sua vez, o porta-voz do Vox respondeu que o partido era "contra toda a violência" e acusou os partidos de esquerda de se aproveitarem do "discurso da ideologia de género". "Sabe perfeitamente que não compactuo do feminismo do 8 de Março nem da ideologia de género", acrescentou.

A câmara municipal de Madrid assinou um pacto com todos os partidos políticos para solucionar o problema da violência de género. O Vox foi o único partido que não quis reunir-se.

Adaliz Villagra foi a sexta vítima de violência de género em Madrid. Morreu na terça-feira à tarde, alegadamente morta pelo ex-companheiro à frente das duas filhas, de 8 e 10 anos. Esta segunda-feira, um homem foi detido após matar três mulheres da mesma família em Pontevedra: ex-mulher, a irmã e a mãe desta.

Em toda a Espanha, 41 mulheres morreram assassinadas este ano pelos companheiros ou ex-companheiros. Além disso, o Ministério Público alertou no início deste mês para o aumento de casos de violência de género contra menores, incluindo abusos, agressões sexuais e violações em grupo.

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